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O Conde e a Sereia: Cap. 2 [+10] - Contos Perdidos
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O Conde e a Sereia: Cap. 2 [+10]
FINALMENTE! Hahahaha, gente, desculpem a demora, principalmente mil desculpas à themfernandes que deve ser muito provavelmente a única pessoa que acompanha essa história! Bom, a pretensão era de atualizá-la semana passada, como fiz com as outras, mas minhas quartas, quintas e fins de semana são sempre conturbados e acabou que eu já estava com metade do capítulo escrito, mas não consegui concluí-lo. Do mesmo modo, essa semana foi bem corrida e eu me esforcei bastante para tentar atualizar na quinta, em vão. Então, pra não deixar mais uma semana de molho, finalmente terminei esse capítulo! (na verdade, o final desse capítulo era pra ser o final do primeiro, por isso disse que seria grande XDD) Espero sinceramente que gostem!

Leiam, comentem, compartilhem, não gostem, odeiem, critiquem, não façam nada, enfim, sintam-se novamente em casa :) E só uma última nota antes de compartilhar o capítulo com vocês: criei uma comunidade aqui mesmo no livejournal, para reunir escritores brasileiros amadores. Então, se você se enquadra nesse perfil, por favor, não hesite em se unir à comunidade e postar suas histórias originais para que o resto do mundo possa ver! Segue a comunidade: escritores_br!

Por enquanto é só! Sem notas pós capítulo porque estou realmente cansada, então, responderei a qualquer comentário :) Divirtam-se com a leitura!

P.S.: Avatar novo de sereia pra comemorar ;D

Disclaimer: É minha. Cópias não autorizadas estão sujeitas a processo judicial.

O Conde e a Sereia

2. A Descoberta e o Nome

Naquela vez em particular, estranhamente, o sonho tão familiar para Christopher não se estendeu demais, não se tornou um tão esperado pesadelo do qual ele já sabia acordar e se livrar. A parte ruim tinha desaparecido em algum momento entre os fios dourados e o vento do inverno. Ele ainda podia sentir, entretanto, o distante aroma dos lírios que hora povoavam a imagem em sua cabeça, quando foi acordado de um modo completamente incomum. Sentiu as pontas geladas dos dedos de alguém lhe tocarem o rosto, achando mesmo que aquilo podia ser parte de seu sonho, até que a mesma pessoa tocou seus olhos de modo exagerado, como uma criança mexendo num brinquedo novo.

Aquele pensamento fez com que despertasse de uma vez, encarando com extrema surpresa o rosto da garota que se debruçava em sua cama, a face dela apenas a alguns palmos de distância da sua, os olhos grandes e curiosos que não mudaram de expressão mesmo ao encará-lo acordado. Definitivamente uma jovem que não entendia os limites da aproximação.

– O que…? C-Como…? – Chistopher sentou-se num impulso, e a menina quase caiu para trás, mas fez o mesmo que ele, como se estivesse o imitando, e sentou-se também, exatamente sobre as pernas dele ainda cobertas pelo grosso edredom. Ele passou a mão pelos cabelos, tentando conter a surpresa, até notar que ela estava ali sozinha. – Como chegou aqui?

A menina apenas continuava a encará-lo. Passou os dedos pelos cabelos como ele o fizera antes, e depois inclinou a cabeça levemente para o lado, deixando um enorme sorriso surgir nos lábios. Apoiou as mãos no colchão e facilmente se levantou, cambaleando um pouco na superfície macia, mas conseguindo manter-se de pé com êxito.

Christopher a encarou levemente surpreso, mas ainda desnorteado com a situação. Afinal, jamais imaginaria que acordaria em seu quarto com qualquer pessoa que não fosse seu mordomo. Menos ainda com uma jovem que tinha acabado de levar para casa e que até a noite anterior aparentemente não sabia o uso das próprias pernas.

– Hora de acordar, mestre Christopher. – a porta se abriu sem cerimônias e William entrou, empurrando um carrinho com uma bandeja com chá e biscoitos.

Tanto Christopher quanto a garota se viraram para a porta e William não teve como não se surpreender com a cena totalmente inusitada.

– Senhor… como eu disse anteriormente… não acho que esse comportamento com uma criança seja apropriado. – mesmo que o tom fosse aparentemente reprovador, ele tentava esconder um tom de divertimento com a expressão totalmente constrangida e desconcertada de Christopher.

– Eu não faço ideia de como ela chegou aqui!!! – a resposta dele saiu com urgência.

Estava totalmente exasperado quando a menina virou-se de novo para ele, ainda sorrindo – certamente parecia ter gostado daquele gesto simples–, e acabou caindo sentada no processo. Instintivamente Christopher estendeu os braços para ampará-la, caso ela se machucasse, mas não houve a menor necessidade, ela apenas caíra sentada ao lado das pernas dele e continuou a sorrir, apoiando as mãos no colchão.

– Por Deus, não faça isso. – ele passou a mão pelo rosto, levemente aliviado e surpreso.

– Bom, ao menos parece que nossa convidada de honra já aprendeu a andar. – William disse, continuando a empurrar o carrinho até parar ao lado da cama. – Mas eu aconselharia a deixá-la dormir em outro quarto, mestre. Seria mais prudente para sua imagem de Conde.

– Chega de besteiras, William. – Christopher passou a mão pelos cabelos novamente. – Ela apareceu do nada aqui pela manhã. Eu mandei Marie deixar alguma criada na companhia dela durante a noite, acho que notar se ela de repente saísse andando por aí fazia parte do trabalho.

– Oh, por Deus! Meu senhor, perdoe-me!!! É minha culpa que a criança tenha chegado até aqui!!

Os três voltaram a atenção para a porta do quarto ainda aberta, uma jovem de cabelos castanhos amarrados num coque, usando um vestido azul com avental, curvava-se exageradamente, mantendo-se parada no limite da porta do quarto, como se uma barreira invisível a impedisse de entrar. Ela fazia uma reverência tão exagerada que por pouco não se ajoelhou no chão para continuar o pedido de desculpas.

– Eu estava cuidando da criança e… e eu… eu acabei… eu sinto mui–

– Não importa. – Christopher a cortou, suspirando resignado. – Ela está bem, não há problema.

– Sinto muito mesmo, senhor! Garanto que não vai se repetir!

– Venha aqui e leve a garota. – William disse, fazendo um rápido sinal com a mão. – O mestre precisa tomar seu chá e trocar de roupa.

– Sim, senhor. – a criada continuou com a cabeça abaixada e entrou no quarto, seguindo até a cama, onde pudesse alcançar a menina. Ao estender os braços para segurá-la, porém, a garota engatinhou rapidamente até mais perto do conde, segurando-lhe o braço firmemente. – Vamos lá, querida, não precisa se preocupar.

Ela apenas segurou o braço de Christopher com mais força. Ele suspirou e simplesmente passou a outra mão no topo da cabeça dela.

– Chame Marie, ela já se acostumou, vai segui-la. – disse Christopher, e a criada curvou-se exageradamente mais uma vez, para poder dar as costas e finalmente sair.

– Acho que se acostumou bem mais com o senhor. – William sorriu.

– Ela só tem medo de estranhos, eu acho… – o tom do conde era suave, enquanto ainda passava a mão pelos cabelos da garota. Ela pareceu mais à vontade e soltou o braço dele, sorrind0-lhe satisfeita. – O que será que aconteceu com ela?

– Logo nós descobriremos, não se preocupe. – disse o mordomo, preparando-se para servir o chá. – Devo servir chá para a jovenzinha também?

– Certamente. – ele respondeu o óbvio. Tirou as cobertas de cima das pernas apenas para sentar-se à beira da cama.

A garota não esperou muito, andou sobre a cama para alcançar o conde e sem muita cerimônia, aconchegou-se sobre as pernas dele, sentando em seu colo e passando os olhos grandes dele para William, e depois para o carrinho de chá. Estava sentada ali como se fosse seu lugar mais natural e de direito. Não teve como William esconder o sorriso que se formou nos lábios, principalmente ao ver a expressão completamente desajustada de Christopher com a atitude tão natural dela.

– Realmente… ela não se acostumou tanto à Marie. – disse o mordomo, enquanto terminava de preparar a primeira xícara de chá e começava a segunda.

– Sem comentários, William. – disse o conde, parecendo enfim não se importar com a menina sentada em suas pernas.

– Claro, senhor. – ele terminou o preparo do segundo chá e colocou-o sobre a mesa para pegar o do conde primeiro.

– Não, dê-me o dela primeiro.

William fez o que lhe foi ordenado e estendeu a outra xícara, que Christopher pegou e segurou na altura da menina. Ele mesmo levou a mão dela até a asa da xícara, ensinando-a a segurá-la.

– Aqui… tem que segurar desse jeito. – ele disse, e a jovem parecia bem interessada… fosse na xícara, fosse no fato de que Christopher estava lhe mostrando algo. – Tenha cuidado, está quente.

O som de batidas invadiu o quarto, mas apenas William pareceu notar aquilo. Discretamente, ele seguiu até a porta e abriu para deixar que Marie entrasse. Ela estava prestes a falar, quando William fez um breve sinal indicando a cena totalmente singular de seu mestre ensinando a menina a tomar chá, no exato momento que ela levava a xícara aos lábios sozinha, depois de soprar levemente o líquido como tinha sido instruída. Os dois criados certamente se surpreenderam ao ver o sorriso de satisfação no canto dos lábios do conde, quase imperceptível.

– Impossível não lembrar da jovem Ann. – disse William, discreto, quando Christopher então deu um dos biscoitos para ela e deixou a xícara de lado.

– Eu pensei a mesma coisa… – Marie completou, logo antes do conde notar a presença dela ali no quarto e voltar a atenção para os dois.

– Que bom que chegou, Marie. – disse ele. – Leve-a para se arrumar enquanto eu faço o mesmo, e mande servirem o café da manhã.

– Claro, meu senhor. – a criada sorriu e seguiu até a cama para segurar a menina pelos braços, quando ela prontamente se levantou do colo de Christopher, sorrindo satisfeita. – Vejam só quem já sabe andar! Você é uma garotinha incrível, não é mesmo?!

Ela não respondeu, apenas seguiu com Marie para fora do aposento, sob o olhar atento de Christopher, até lançar um último olhar para ele antes da porta do quarto ser fechada.

– Já continuou a busca, William? – dessa vez, ele pegou a própria xícara de chá e tomou um gole.

– Exatamente como pediu, senhor. Até o fim da semana teremos uma resposta concreta. – disse o mordomo, preparando algumas roupas para colocar sobre a cama, enquanto o conde já começava a se trocar.

– Ótimo, e como está o dia hoje?

– Tem um compromisso logo mais com o Duque de Somerset sobre os negócios da Companhia Mercantil, em seguida, um encontro com os novos investidores do norte precedendo um almoço da alta sociedade organizado por Lady Riverstone. À tarde, uma passagem de rotina nas indústrias principais para o relatório quinzenal, e finalmente deve estar de volta à mansão em tempo para o chá da tarde. – relatou o mordomo.

– Bom. Prepare a carruagem, partiremos à cidade logo após o desjejum. – disse Christopher, terminando de vestir o colete.

– Certamente, milorde. – William colocou o terno e o casaco de Christopher sobre o braço, a cartola na mão e a bengala na outra. Seguiu para o corredor adiante de seu mestre.

Depois de arrumar os cabelos, foi a vez de Christopher sair do quarto em direção a sala de jantar secundária, onde a mesa de dez lugares estava servida apenas para uma pessoa, com a louça e os talheres postados numa das cabeceiras da mesa, como já era costumeiro. Havia três criadas alinhadas próximo à parede, e logo William estava entrando na sala para parar de pé ao lado da cadeira da ponta, onde o conde sentaria.

– Onde está a criança? – foi a primeira coisa que Christopher perguntou, antes mesmo de se sentar.

– Marie está lhe servindo o café da manhã na cozinha, meu senhor. – William respondeu prontamente.

– Traga-a aqui. – disse o conde, sem se preocupar em encarar o mordomo nos olhos. – Ela ainda não sabe comer sozinha.

William pensou em responder que ela não estava sozinha, e sim com Marie, e também que não estava tendo dificuldades para tal, de acordo com o que tinha visto ao passar rapidamente pelo cômodo. Mas apenas sorriu rapidamente e fez um sinal com a mão na direção das criadas.

– Como desejar, meu senhor. – ele respondeu, quando as três mulheres saíram da sala de uma vez. – Devo esperar a jovem se juntar ao senhor para servir o café da manhã?

– Seria rude não o fazer, William. Que tipo de pergunta é essa? – ele não encarava o mordomo.

– É claro, meu senhor. Perdoe minha falta de modos. – ele respondeu, e logo duas criadas já voltavam trazendo pratos de porcelana, talheres de prata, xícara, pires, copo de vidro e até mesmo uma almofada vermelha de veludo que foi colocada sobre o assento da cadeira a esquerda de Christopher.

No momento seguinte, foi Marie que entrou na sala, a garota segurava-lhe a mão e não escondeu a satisfação em seu sorriso largo ao ver Christopher sentado à mesa. Marie ajudou-a a sentar-se também e foi quando o conde indicou que a comida podia ser servida. A refeição matinal foi algo digno de ser observado para qualquer pessoa acostumada à personalidade fechada do conde. À medida que ele se servia, a garota fazia o mesmo, imitando todos os seus movimentos, desde segurar os talheres desajeitadamente e levá-los à boca, até segurar com cuidado o copo de vidro cheio de suco. Visivelmente, ela não precisava de auxílio, mas os criados notaram como Christopher comia mais devagar, permitindo à criança observar todos os seus movimentos.

O silêncio do café da manhã só foi quebrado na eventualidade do Conde tentar explicar alguma coisa para a menina. Os criados continuavam a observar em silêncio e apenas Marie se retirou antes do fim da refeição, para voltar aos seus afazeres e dar as devidas instruções às demais empregadas da casa. Quando os dois terminaram a refeição, Christopher foi o primeiro a se levantar, e William aproximou-se dele prontamente para lhe entregar o sobretudo, a bengala e a cartola.

– A carruagem já o espera, senhor. – disse ele, estendendo os objetos enquanto a garotinha apenas os observava atentamente, ainda sentada em sua cadeira com uma almofada a mais.

– É melhor eu me apressar. – respondeu Christopher, pegando o casaco e vestindo-o rapidamente, deixando ainda a cartola e a bengala nas mãos do mordomo. – Cuide dos assuntos pendentes aqui. Tem documentos na minha mesa que precisam ser entregues em mãos.

– Pode deixar, senhor, farei todo o necessário. – completou William e já estava prestes a seguir o mestre para fora da sala, mas parou quando este também parou, olhando para a menina.

– Chame Marie de volta. – ele se direcionou ao mordomo, mas uma das criadas imediatamente tomou a ordem e saiu da sala, depois de uma pequena reverência. Voltou a atenção para a criança, que ainda o olhava com olhos curiosos e esperançosos. – Vamos descer daí?

Ele estendeu a mão para a menina, que logo a segurou, e num salto animado, desceu da cadeira. Christopher apenas a observou enquanto ela lhe acompanhava para deixarem a sala de jantar e seguir até o hall de entrada da mansão. Apenas quando estava diante das portas de entrada foi que Marie os acompanhou.

– Agora você precisa ficar com Marie, ela vai cuidar de você enquanto eu estiver fora, entendeu? – ele se curvou levemente para falar com a menina, mas ela apenas o encarava de volta. Pousou a mão no topo da cabeça dela e depois voltou a atenção para a criada. – E quanto ao alfaiate?

– Ele deve vir agora pela manhã, senhor, já instruí que trouxesse algumas roupas de tamanho padrão para deixar com a menina. – respondeu a senhora. – Quer que ele deixe uma quantidade específica?

– Quantas forem necessárias, e mande-o fazer nova sob medida também. – disse Christopher, pegando finalmente a cartola e a bengala das mãos de William. – Estarei de volta antes do chá da tarde.

– Como quiser, senhor. – Marie segurou a mão da menina, e as duas observaram enquanto ele seguia para fora da mansão. Mas aquele movimento não durou muito, antes mesmo que o conde pudesse ultrapassar o limite da porta de entrada, a garotinha correu em sua direção, o sorriso sumira do rosto e ela agarrou a roupa dele em desespero, como se a vida dependesse daquilo.

Marie adiantou-se para tentar segurá-la, mas o aperto dela nas roupas do conde era bastante resistente.

– Oh, querida, não precisa se preocupar, o mestre logo estará de volta, vai ver. – ela abaixou-se na altura da menina, tentando consolá-la, mas o olhar dela se voltou para a criada com uma expressão chorosa, os olhos cintilantes, como se lágrimas estivessem prestes a correr.

Christopher parou ao sentir o puxão dela e voltou para dentro de casa. William parou ao seu lado, tirando um relógio de bolso do colete.

– Não precisa se preocupar, meu senhor, sabe que cuidaremos bem da menina. O senhor vai se atrasar para seus compromissos. É melhor ir agora e conseguir voltar o quanto antes, não acha? – o mordomo disse, mas Christopher apenas olhou dele para a garota com a expressão de desespero e abaixou-se também para ficar na altura dela. Levantou uma das mãos para pousar sobre sua cabeça.

– Não faça essa cara. – ele disse, num tom mais suave, deixando que um sorriso gentil tomasse conta dos lábios, o que fez tanto Marie quanto William se surpreenderem levemente. – Eu prometo que volto. Não vai nem notar que fiquei longe durante o dia.

Ela apenas piscou, a expressão suavizando, mas o sorriso não voltou a surgir e ela continuou a segurar o tecido da roupa dele.

– Aqui… – Christopher tirou da mão esquerda um anel que havia em seu dedo indicador, puxou a mão dela e o colocou na pequena palma. – Cuide disso pra mim, enquanto eu não volto, certo?

A garota olhou para o anel dourado, com uma pedra vermelha no meio. Levantou o olhar para ele de novo, parecendo fazer bastante esforço em entender o que estava acontecendo.

– Eu preciso ir agora. Voltarei mais tarde. – ele finalmente se levantou, ainda encarando-a, e o olhar dela o acompanhou no processo. Finalmente ela soltou sua roupa e segurou o anel com as duas mãos, voltando a olhar para o conde. Ele lhe sorriu novamente. – Boa menina.

O sorriso dele foi retribuído de forma singela. Ele andou até a porta, ainda lançando um olhar para trás, apenas para ver a reação que ela teria. A garota continuou parada no mesmo lugar, segurando o anel como se fosse a coisa mais preciosa de sua vida, e o olhar acompanhou Christopher enquanto ele descia as escadas e entrava na carruagem, acenando para ela brevemente antes de partir. O olhar dela se perdeu no horizonte quando a carruagem sumiu do seu campo de visão.

Ela só desviou a atenção das portas de entrada ainda abertas quando Marie colocou a mão em sua cabeça.

– Você é mesmo uma boa menina. Não precisa se preocupar, o mestre não vai deixá-la. – disse a criada. – Vamos arrumá-la para recebê-lo quando ele estiver de volta, certo? Você pode ver quando a carruagem voltar da janela do primeiro andar, que tal?

Ela não respondeu ou fez qualquer sinal. Continuou a encarar Marie e o sorriso tinha sumido novamente, a expressão curiosa tomando conta de seu rosto. As mãos continuavam fechadas diante do corpo, imóveis, como se qualquer coisa que ela fizesse acarretasse a perda da joia preciosa que tinha nas pequenas mãos.

– Vou lhe mostrar! Ainda tem chance de ver a carruagem se formos rápidas! – disse Marie, colocando a mão nas costas dela para guiá-la na direção das escadas. – Quer ver a carruagem do mestre Anthony?

O sorriso surgiu de novo. Ela acompanhou Marie praticamente às pressas enquanto subiam para o primeiro andar. Seguiram até o fim do corredor, onde havia um par de janelas abertas, e ao olhar por elas, era possível ver o caminho que levava até fora dos limites da propriedade. Logo os olhos grandes e infantis encontraram a carruagem que se afastava cada vez mais. Ela seguiu a imagem até que fosse realmente impossível de avistá-la com tamanha distância. Marie observou a garotinha apoiada na batente da janela e se perguntou se conseguiria ao menos tirá-la dali enquanto o mestre não voltava para casa.

[…]

Aquele dia em particular parecia estar passando estranhamente devagar para Christopher. Quanto mais olhava no relógio de bolso, menos tempo parecia ter se passado desde a última vez. Os negócios estavam mais entediantes que de costume, as convenções sociais não passavam de um desconforto ao qual ele tinha que se submeter pelo menos uma vez por semana, para que seus atos se equiparassem ao seu status de conde… as partes mais interessantes de vistoriar as fábricas também estavam se tornando cansativas quando já passava da hora do almoço e ele contava para que a última fábrica tivesse tudo em ordem, e que ele pudesse finalmente voltar para o conforto e o silêncio de sua mansão.

Suspirou pesadamente, sem querer admitir que queria apenas conferir se a garotinha estava bem com sua partida, já que de alguma maneira inexplicável, se apegara tanto a ele. Fazia muito tempo que não se sentia tão preocupado com uma pessoa como estava com aquela criança desconhecida… e não podia se preocupar mais que o suficiente, mais que o sensato, já que até o fim da semana ela provavelmente estaria de volta à sua família ou seu lar perdido.

Ele fechou os olhos por um longo tempo enquanto seus ouvidos ainda estavam sendo infestados de dados de relatórios financeiros da companhia. O chefe do setor não parou de falar e ele levantou a mão num gesto claro para que ele se calasse. O homem arqueou as sobrancelhas, não estava nem na metade do relatório…

– Alguma coisa errada, Conde Reinhart? – perguntou o outro, um pouco temeroso do que a resposta seria.

– Me envie o resto do relatório por escrito. – respondeu Christopher. – Contanto que não tenhamos perdido mais da metade dos lucros, não há com o que se preocupar agora.

– Sim senhor, vossa graça. – respondeu o homem, fazendo uma reverência exagerada enquanto segurava uma boina junto ao corpo.

– Eu preciso me retirar agora, aguardarei pelo relatório em minha Vila. Mandarei a resposta por um mensageiro o mais breve possível. Se necessário, eu mesmo voltarei para checar tudo. – ele se levantou da cadeira acolchoada mais confortável que havia na sala levemente bagunçada do escritório da menor fábrica de sua companhia mercantil.

O chefe da fábrica o seguiu até a saída, enquanto ele ainda olhava distraído para o relógio. Eram quase quatro da tarde e ele ainda estava fazendo vistorias nas fábricas. Estava extremamente cansado. Mentalmente cansado… e havia apenas uma coisa ocupando sua mente mais do que deveria.

Ele só se sentiu realmente aliviado quando a carruagem ultrapassou os portões altos de ferro de sua propriedade fora dos limites da cidade. O relógio já marcava 16h05 e certamente ele não escaparia de um comentário astuto de William sobre estar atrasado para o chá, mas aquela era a menor de suas preocupações no momento. Quando a carruagem parou diante das escadarias de entrada para a casa, ele nem precisou esperar o cocheiro abrir a porta, desceu, sentindo a brisa suave do inverno e se sentiu mais livre e revigorado… fechou os olhos automaticamente apenas para sentir o ar entrando nos pulmões, mas a quietude foi rapidamente quebrada por uma voz alarmada bem conhecida.

– Menina, espere, não saia assim!!!

Marie estava no topo das escadarias, mas tinha chegado atrasada. Seus olhos pousaram arregalados sobre a pequena figura da sua mais nova convidada, correndo desenfreada pelas escadas, os cabelos bem penteados e o corpo agora coberto por um vestido simples de mangas e bem apropriado para o seu tamanho. Os pés estavam ainda descalços, mas ele não teve como notar mais detalhes da menina. Adiantou-se rapidamente, largando a bengala e deixando que a cartola caísse no caminho, tentando alcançá-la antes que algum acidente grave acontecesse… afinal, ela tinha voltado a andar na noite passada!

– Hei! Cuidado!

A sua voz não pareceu ser de muita ajuda, na verdade, pareceu apenas atrapalhar o trajeto concentrado e apressado da criança. Ela levantou os olhos grandes e brilhantes para encará-lo, o sorriso se alargou nos lábios e obviamente seus pés se desatentaram para os degraus que faltavam do pequeno lance de escadas. Marie engoliu um grito de susto quando viu a garota tropeçar e o corpo pequeno curvar-se para frente, prestes a ir de encontro ao último degrau e provavelmente fazer algum estrago. Christopher prendeu a respiração, mas sua reação foi mais rápida e praticamente automática… em apenas um passo alcançou o degrau, e precisou apenas de um dos braços para segurar a menina, embora a envolvesse com os dois para ter certeza de que ela não teria caído de cara no chão.

O suspiro aliviado de Marie foi extremamente audível. Christopher fechou os olhos ao perceber que um nó também tinha se formado em sua garganta e que o coração batia mais acelerado do que deveria. Baixou o olhar para encarar a menina que não parecia muito afetada com a pequena possibilidade que tinha acabado de passar… ela sorriu largamente para ele, apoiando-se nos braços que a envolviam. O que veio a seguir, ele certamente não esperava nem na mais distante de suas hipóteses.

– Tony!!!

As duas sobrancelhas arquearam imediatamente ao ouvir a voz suave e levemente aguda da menina. Ela sorriu ainda mais, parecendo satisfeita consigo mesma – fosse pelo fato de ter falado algo, ou pelo fato de estar apoiada nos braços dele, como se ele não pudesse mais sair dali. Ele pensou em se levantar, subir as escadas, colocar a garota devidamente de pé, soltar os braços que ainda a seguravam protetoramente… mas todas as ações simplesmente sumiram de sua cabeça e de seu corpo ao ouvi-la falar aquela simples palavra.

– Mestre Christopher, que bom que está de volta! – Marie desceu as escadas, e nem mesmo a voz dela o tirou do pequeno transe. – Criança, não faça mais isso, quer me matar do coração?!

A garotinha voltou o rosto para Marie, ainda sorrindo contente. Estendeu um pouco os pés para que tocassem o chão de novo, já que o abraço de Christopher a segurava a alguns centímetros de distância dos degraus da escada. Apenas quando estava de pé, foi que o conde pareceu voltar a raciocinar direito, e ainda conseguiu se surpreender quando ela lhe estendeu a mão direita, fechada tão fortemente que as juntas dos dedos estavam levemente esbranquiçadas. Ela abriu a mão lentamente apenas para revelar o anel que ele tinha deixado com ela naquela mesma manhã. Não teve tempo de falar qualquer coisa, a surpresa ainda envolvendo-o de uma maneira inexplicável, quando ela apenas contribuiu para aquele sentimento mais uma vez.

– Tony! – ela estendeu o anel mais para perto dele, encarando-o direto no rosto.

Mais uns segundos foram necessários até que Christopher processasse toda a informação em sua mente já cansada do dia cheio. Finalmente, quando notou que o sorriso dela parecia estar sumindo com sua falta de reação, estendeu a mão para pegar o anel de volta, e ela ficou mais satisfeita.

– Obrigado. – daquela vez, o rosto dele que tomou a feição de um sorriso, e a menina pareceu ainda mais animada com aquilo. – Você fez um bom trabalho cuidando dele pra mim. – estendeu a mão e pousou no topo da cabeça dela, finalmente conseguindo se recompor. Ela ficou ainda mais animada com aquele gesto simples. – Vejo que também tem novas roupas…

– O alfaiate deixou algumas roupas que serviram muito bem na menina, mas são mais simples. – Marie interrompeu, e Christopher desviou o olhar rapidamente para a governanta. – Ele vai trazer novas peças sob medida em breve. Se precisar de mais alguma coisa, é só mandar avisá-lo.

– Obrigado, Marie. – ele respondeu, enquanto a menina parecia deveras interessada em observar o anel agora de volta ao dedo indicador de Christopher. – Não teve nenhum problema enquanto eu estava fora?

– Bom… eu demorei umas boas duas horas para conseguir afastá-la da janela que dá para a entrada. – disse Marie. – E certamente o senhor imagina que não consegui fazê-la abrir a mão para não perder seu anel. Mas o mais preocupante é que eu realmente não consegui fazê-la chegar perto da banheira… a pobrezinha ficou desanimada o dia todo, apenas olhando pelas janelas esperando pelo senhor, acho que pensou que não voltaria. E não sei o que tem contra água, mas ela realmente se recusa a entrar no banho, talvez o senhor pudesse…

– Nem complete essa frase, Marie. – Christopher rodou os olhos, massageando as têmporas. Só aquilo lhe faltava para que William terminasse de fazer seus comentários inoportunos… ele tentando banhar uma garota desconhecida que não devia passar de seus 10 anos de idade. Marie conteve o sorriso.

– De qualquer jeito, meu senhor… acho que é um problema que precisa ser resolvido.

Christopher olhou para ela, lembrando-se de como a tinha encontrado perto do lago, despida, molhada e aparentemente amedrontada. Desviou o olhar para o horizonte, onde rapidamente avistou o lago da propriedade. Não entendia o que podia ter acontecido, mas com certeza algo relacionado aquele lugar a trouxera até ali, e principalmente… podia explicar a relutância óbvia dela de se aproximar da água de novo. Não teve tempo para continuar a linha de pensamento, quando a voz de William soou em seu tom falsamente acusatório.

– Está vinte e dois minutos atrasado para o chá da tarde, senhor. – disse o mordomo, descendo as escadas e observando a hora no relógio de bolso.

– Eu sei. – Christopher respondeu, a contragosto. – Devia dizer ao contrário que estou adiantado para o jantar. Fique atento para receber em breve os relatórios da fábrica da cidade, mandei que enviassem o resto por escrito, ou não chegaria logo em casa.

– Como quiser, senhor. – disse William. – Bom… já que todos estão bem reunidos e confortáveis aqui fora, pensei em servir o chá da tarde no coreto do jardim, para aproveitar a última brisa fresca do inverno. De hoje em diante, não dá para dizer quando o lago vai congelar.

– Faça isso.

– Imediatamente, senhor. – William se curvou e voltou a subir as escadas.

– A jovenzinha também vai acompanhá-lo no chá da tarde, senhor? – perguntou Marie, ainda parada ao lado dos dois. A garota tinha parado de observar o anel e estava apenas segurando a manga de Christopher, sempre mudando o olhar para a pessoa que começava a falar.

– Sim. – Christopher voltou o olhar para a menina e segurou sua mão pequena e levemente fria. – Venha comigo, vamos para o jardim.
Como sempre, o sorriso satisfeito foi a única resposta dela.

– Voltarei para meus afazeres então, senhor. – a senhora falou, prestes a dar as costas.

– Ah, e Marie… – ele voltou o olhar para a mulher novamente. – Não consigo imaginar como ela pode ter aprendido meu segundo nome…

– Ela é uma garota bem esperta, senhor. – Marie sorriu de uma maneira confidente e não deixou de notar um pequeno esboço de sorriso em resposta no rosto de seu mestre. Virou-se para subir o lance de escadas, enquanto Christopher se virava exatamente na direção oposta.

– Seu dia parece ter sido tão cheio quanto o meu, menina… – ele olhou para ela, que o seguia cegamente, os passos quase saltitados em felicidade enquanto segurava a mão dele e caminhavam pelos caminhos de pedra que davam no jardim principal.

Ela não respondeu nada, como de costume, e ele notou uma coisa muito importante: não sabia absolutamente nada dela, sequer seu nome… e já tinha se acostumado apenas a chamá-la de criança. Por um lado, se William lhe trouxesse resultados da pesquisa, aquilo seria facilmente descoberto e ela voltaria para a família. Por outro, ele podia simplesmente lhe dar um nome enquanto ela não conseguia ou apenas não podia lhe contar o seu. E se ele lhe desse um nome… e até mesmo um sobrenome… tudo se resolveria muito mais facilmente do que esperar que o passado dela se revelasse.

Ficou tão imerso nos pensamentos enquanto seguia calmamente pelo caminho já conhecido e decorado, que só voltou ao tempo presente quando sentiu a pequena mão lhe puxar de leve, detendo seus passos. Olhou para a menina e ela estava parada, um passo atrás dele, ainda lhe segurando a mão com força, o rosto voltado na direção do lago que estava a apenas alguns passos de distância. Ela não estava sorrindo ao encarar a superfície calma do lago, estava apenas com um olhar distante, uma expressão quase triste.

– O que aconteceu com você? – Christopher virou-se para ela, mas suas palavras não atraíram a atenção dela para ele. – Você não quer chegar mais perto?

Ela virou o rosto para ele, e pela primeira vez ele teve a impressão de que ela podia entendê-lo com clareza.

– Não precisa ter medo, não vai acontecer nada a você. – ele se abaixou na altura dela, segurando a mão pequena entre as suas. – Eu não vou deixar que aconteça nada de ruim.

O sorriso voltou a surgir nos lábios dela, e mais uma vez ele imaginou que ela estivesse entendendo cada uma de suas palavras. Mas novamente, a surpresa o atingiu por completo quando ela soltou a mão entre as dele e correu na direção do lago. Ele se levantou de imediato, apenas para acompanhá-la a passos largos, caso ela caísse no meio do caminho. Talvez só quisesse ver o lago mais de perto, conferir o que ele estava dizendo… o que ele menos esperava, entretanto, era que ela corresse a ponto de pular nas águas do lago. Pela segunda vez em muito pouco tempo, o coração dele falhou uma batida e um nó se formou na garganta.

– Hei! Não faç–!!

Ela já tinha saltado, sumido sob as ondas que se formaram ao pular no lado fundo do lago. A reação dele foi tão imediata quanto a primeira para segurá-la ao cair da escada. Tirou o casaco pesado que o protegia do frio daquele início de inverno, os passos largos e apressados alcançaram a beira do lago em pouco tempo, e ela não tinha ressurgido na superfície. Pulou sem ao menos pensar duas vezes, os olhos arregalados, o coração acelerado, os sentimentos confundindo-se com sua memória de anos muito antigos. Não viu mais nada ao seu redor, apenas sentiu a temperatura de seu corpo cair drasticamente ao sentir a água fria invadindo suas roupas e fazendo com que elas pesassem cada vez mais debaixo da água. Subiu na superfície para tomar ar, o corpo já começando a tremer, e não conseguiu vê-la fora da água… mergulhou com os pulmões cheios e abriu os olhos o máximo que conseguiu nas águas turvas do lago. Sua visão não alcançava muito longe, mas ele nadou o máximo que pode… ela não teria como aguentar aquele frio… por que ela teria feito aquilo? O coração acelerou ainda mais, a temperatura do corpo caindo enquanto ele se esforçava para continuar nadando na água gélida. Foi quando estava prestes a subir a superfície para recuperar o ar que seus olhos pousaram no par de olhos claros que povoara até mesmo seus sonhos em apenas um dia.

Uma batida do coração falhou naquele exato momento, debaixo d’água, ele ficou estático, apenas deixando-se afundar lentamente enquanto uma bolha de ar se desprendia de sua boca na tentativa de exprimir a surpresa.

O rosto dela estava ali, a alguns passos do seu, os olhos grandes o encaravam, o sorriso era feliz como em qualquer vez que ele fazia algo para ela. E era tudo tão natural… a pele dela reluzia perolada debaixo da água, não parecia de modo algum incomodada com a temperatura baixíssima. Os cabelos loiros se moviam delicadamente ao redor do rosto pequeno… o vestido que ela usava não cobria mais suas pernas… os pequenos pés descalços tinham sumido para dar lugar ao que ele podia definir apenas como uma barbatana. O movimento lento para a direita e a esquerda a mantinha na mesma altura que ele dentro da água, e ele nem sabia mais a que distância estavam da superfície, ou quanto tempo tinha se passado para ainda não sufocar com a falta de ar e o frio. Ela sorriu ainda mais, e movimentou a barbatana com mais velocidade e força, dando giros na água, bem diante dele.

O momento de surpresa não foi capaz de mantê-lo naquele estupor por mais alguns segundos. Mais uma bolha de ar escapou de seus lábios e ele se deu conta de que uma dor aguda começava a incomodá-lo na altura das costelas, os pulmões parecendo fazer grande esforço para manter o último suspiro dentro do corpo dele. Bateu as pernas e as mãos o máximo que pode, até sua cabeça finalmente emergir na superfície e tomar o máximo de ar que conseguia, sentindo o corpo doer com o simples ato de inspirar. Precisou continuar se movimento tanto quanto necessário para que seu corpo tentasse produzir o mínimo de calor possível, e para que se mantivesse na superfície para tomar ar suficiente.

– Mestre Christopher! Por Deus! O que aconteceu?!

A voz de William era alarmada, e Christopher não precisou se virar para ver que o homem estava quase prestes a pular no lago também para lhe ajudar.

– Traga… toalhas… William! – a voz dele estava trêmula, ele sequer se virou para ver o homem.

– Senhor, eu vou buscar ajuda agora mesmo…!

– Não! – o conde se virou para encará-lo, urgente. – Não chame ninguém! Faça apenas o que eu disse, agora!

O esforço para completar a frase sem que sua voz tremesse foi tamanho que sua garganta ardeu.

– Mas senhor…!

– Agora!

William não precisou concordar com o que tinha acabado de ouvir. Naquele mesmo instante, Christopher voltou a olhar para o lago, quando a água se agitou, e a garota deu um salto para fora da superfície, a ponto do corpo inteiro sair da água e mergulhar novamente, como se estivesse se divertindo. O mordomo teve exatamente a mesma reação de seu mestre, e os olhos cansados demoraram a acreditar no que tinha acabado de ver.

– William! Está frio! As toalhas, agora! – Christopher tentou colocar mais força na própria voz, mas foi impossível. Não percebeu se William tinha atendido ao seu pedido e finalmente voltado para a casa em busca do que ele requisitara, voltou o rosto para frente quando sentiu as pequenas mãos segurarem o tecido de sua roupa inocentemente.

Os olhos pousaram sobre o rosto da menina. Ela estava completamente submersa, perto dele, a água cobrindo-lhe até a altura do queixo, e naquele momento, mesmo com as forças querendo se esvair do corpo dele, ele conseguiu notar as escamas peroladas que tomavam conta apenas de uma parte do queixo e do pescoço confundindo-se com a pele clara como porcelana, quase refletindo toda a luz do fim do dia de inverno em um brilho opaco. Apenas os olhos tinham um brilho vivo e azulado. A sensação de surpresa e descoberta o fez esquecer mais uma vez da situação em que estava. Conseguia apenas ver o sorriso da garota, os olhos dela e tentar acreditar na coisa mais fantástica que estava presenciando. Ela moveu os pequenos lábios para falar a única coisa que sabia até então:

– Tony! – sorriu de novo, e naquele instante, ele sentiu que ela puxou sua roupa para baixo, mergulhando de novo, como se o estivesse convidando a fazer o mesmo.

Christopher relutou, puxando o máximo de ar que seus pulmões cansados conseguiam, mas finalmente mergulhou a cabeça para encará-la além daquelas águas turvas. Ela nadou num outro círculo, parecendo animada, parecendo livre… era quase como se pudesse voar, era uma visão única e simplesmente incrível. Parou a alguns centímetros de distância dele, que ainda a encarava sem acreditar se estava em seu longo sonho, ou em uma incompreensível realidade. Notou quando ela abriu os lábios novamente, e diferente de qualquer pessoa comum sob a água, as bolhas de ar não se formaram e fugiram para a superfície. Ele sentiu o corpo vibrar, e não era por conta do frio crescente… dos lábios dela, um som quase melódico se propagava pela água, como se alguém estivesse falando alguma coisa muito distante… era quase como bater numa taça de cristal com um talher de prata, um som tão singular e tão bonito. E a melodia breve se converteu em uma simples palavra em sua cabeça, do que ele foi capaz de deduzir das nuances de tom, somado ao que os movimentos dos lábios dela o permitiam visualizar:

“Aleera…”

2. A Descoberta e o Nome [Fim]

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Local: none
Modo: tired tired
Música: Long Live - Taylor Swift

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Comments
From: (Anonymous) Date: May 25th, 2013 03:16 am (UTC) (Link)

Lis

First! xD *aquelas pessoas estúpidas que tudo tem que ser o primeiro e ainda deixa isso público* Mas como eu sou a melhor amigo do mundo você não se importa, né! xD

Vou ler a historinha direitinho e comento de verdade, mas é óbvio que ficou ótimo! *o*

Beijos,

Lis
history_teller From: history_teller Date: May 25th, 2013 03:18 am (UTC) (Link)

Re: Lis

First sempre, né! Tá desleixada ultimamente, tem que recuperar o posto DHASUDHASIUDSHD XD

Leia quando tiver tempo :3
themfernandes From: themfernandes Date: June 11th, 2013 04:11 am (UTC) (Link)

Tony *----*

PUTAMERDA, COMO EU FIQUEI TANTO TEMPO SEM LER ESSE CAPÍTULO LINDO? :((((

Uma cena mais fofa que a outra, eu nunca apertei tanto o meu pobre gatinho enquanto lia algo assim hahahaha

Começando por ela ter acordoado o Conde de surpresa, daquele jeito totalmente inocente, deixando-o atordoado com a 'falta de modos', tão cuti cuti :33
E ele ensinando ela a tomar chá no próprio colo? Ai meu deus do céu, vontade de apertar esses dois s2

A Marie me soou muito como uma senhora por volta dos 50 anos de idade, cabelos grisalhos em um coque, sobrepeso natural dessa época da vida, toda cheinha naqueles uniformes divertidos de governantas :33 E já o Tony, um mordomo de meia idade também, porém magricelo, com pés de galinha e aquelas lentes oculares em um dos olhos sabe? hahah Todo irônico com uma voz meio rouca, pedante, brincando com seu mestre Cristopher xD Adoro esses empregados de muito tempo numa mansão, eles geralmente trazem uma paz e sentimento fraterno nessas histórias, quando geralmente os pais do dono da casa já morreram, etc :33

E quem é a Ann? É a irmã mais nova dele? Eu sei que é a mocinha do sonho do capítulo passado, e imaginei que ela se afogou no lago, algo assim... OU SERÁ QUE ELA SUMIU E VIROU SEREIA? OMG hahahah ~viajando~

A cena dela segurando o anel dele também foi tchuchuca demais *--* Toda cuidadosa, como se a vida dela dependesse daquilo ahsuahsau Adoro esses exageros que carregam na ingenuidade de certos personagens, como da nossa própria sereiazinha

E OH MEU DEUS, ELA FINALMENTE CHAMOU ELE DE TONY
TONY, ANTHONY, SÓ PQ EU PEDI TANTO PRA ELE CHAMAR ANTHONY s2s2s Ai, vc é uma escritora mucho boazinha cmg s2 :33

E EU NÃO ESPERAVA QUE ELA VIRASSE SERIA JÁ NO SEGUNDO CAPÍTULO, PUTAMERDA! Foi tipo 'uaaaau' hahaha Imaginei ela rodopiando e brincando na água, toda fofinha, enquanto o Conde ficava paralisado, assustado com aquela cena surreal bem na frente dele, dentro d'água xDD

E foi linda a sua descrição final da voz dela ecoando debaixo do lago, muito linda mesmo s2 Amei a escolha das palavras, de verdade
E claro, ainda finalizando com Aleera, o nome que sugeri pra nossa sereiazinha, ai ai s2

Sem mais, tô FASCINADA por essa história
E mesmo que apenas eu esteja lendo, PELAMORDEDEUS, não deixe de postar, porque é uma história de SEREIAS *----* e estilo hana do akuma ainda, ai meu coração s2s2s2s2

Chega de ataques de fofura hahah Pra variar, comentário gigantesco porque cê merece, menine!
Ansiosa pro próximo capítulo *-* Quero ver ele ensinando a dar banho nela hahahahahah Morrerei aqui xD
Bjs bjs bjs ;)
history_teller From: history_teller Date: June 12th, 2013 02:30 am (UTC) (Link)

Re: Tony *----*

NÉ!!! COMO CE FICOU TANTO TEMPO SEM LER O CAPÍTULO, COMOFAZ!!! ESSA VIDA SOCIAL DA GENTE NÃO COLABORA!!! DHAUSIDHASDASH

Que bom que gostou do capítulo, huehueheuehu! Quero trabalhar bastante ainda numa falta de 'limites' que ela tem por não viver na nossa sociedade, né, vamos ver se eu faço isso... e ensinando-a a tomar chá no colo... gente, o colo dele já é o lugar dela DE DIREITO, DÁ LICENÇA TODO MUNDO BEIJOS =X dhsauidhasuidhasidas

Então, a descrição que ce fez tanto da Marie quanto do William são bem coerentes, eu os imagino assim mesmo!!! XDD A Marie com aquela cara de mãe/avó, gordinha, tipo dona benta dhasuidahsdiusad, e o William eu sempre lembro do Tanaka, de Kuroshitsuji dhasuidhasuidsa, mas bem mais ativo, claro 8D

Sobre a Ann, então, eu posso afirmar que ela era irmã do Christopher... e que obviamente ela não está mais entre eles... sobre o que aconteceu com ela, bom, mais pra frente a gente define, né dhasudihasuidashi Virar sereia... bom, acho que não DHASUIDHAISA

A cena do anel foi um super improviso!!! DHUAISHDASUID Não sabia o que fazer, acabei deixando desse jeito, foi legal, inventar o anel... acabei lembrando também do Ciel com o anel de família dele que ele acha tão precioso e tudo mais! Imaginei que o do Christopher tem o brasão da família dele e que era do pai dele, deve ser um anel legal *-* (aquela que nem sabe como é, etcs 8D)

Então, gente, duas tacadas num só capítulo!!! Chamando de Tony e ainda virando sereia, dhausidhasuidhaudsa, mas o nome caiu como uma luva mesmo *_* Super meigo pra só ela chamá-lo assim *_*

Pois é!!! Ela já virou sereia!!! HDUISADHASIUDHDIUSA Era pra ter sido o primeiro capítulo ainda, como comentei... já que o título da história é O Conde e a Sereia, e é tudo muito óbvio, eu não pretendia estender demais isso, sabe? Fiz a revelação logo de cara pra gente ter mais algumas aventuras, pessoas caçando sereias, boatos, enfim, vamos ver o que desenrola daqui pra frente que nem eu sei direito!!! dhasuidhasuidsa

A voz dela debaixo da água foi a coisa que eu mais queria descrever nesse capítulo >O< Imagino como ondas de ultrassom se espalhando pela água e vibrando, num tom altíssimo pra o ouvido humano, né, tipo, por isso que ela quase não fala fora da água, porque não tá acostumada com o tom pra falar fora de lá, seria o tipo de pessoa que ao tentar falar, quebraria uma taça de vidro dhasuidahsdadhuisa. Mas dentro da água a voz dela fica quase uma música, sabe tipo aquele som que as baleias se comunicam... acho bem interessante *3*

E claro, o Tony devia ouvir e entender parcialmente o nome dela... o pressuposto é que elas tem uma língua das sereias e talz, falada naquele tom debaixo da água, e não daria pra transpor o nome dela detalhadamente pra língua humana, mas o Aleera foi o mais perto que ele conseguiu entender, e assim fica *3* Adorei o nome, né >O<

Pode deixar!!! Enquanto uma pessoa estiver lendo, continuarei postando firme e forte! DHSAUIDHASUIDHUDSA Se eu parar de postar, eu aviso, mas ce me bate e a gente se entende pra voltar a posta rHDUISAHDAUIDHASIDAS... sobre ensinar a dar banho... DASHUIDASHUDIASHDASUIDSAI VAMOS VER O QUE SAI NO PRÓXIMO CAPÍTULO, ETCS!!! DHASUIDHAUDIAS *que ainda nem imaginei todo XDDD*

Beijossss, thnks pelo comentário enorme, menine!! Até maises *_*
lis_hillen From: lis_hillen Date: November 4th, 2013 06:47 pm (UTC) (Link)

Ah-há!!! Consegui ler enquanto digitalizo uns mil arquivos aqui! ;D

Finalmente, depois de um longo período, li o capítulo! E devia ter lido antes porque foi muito fofo!!! *O*

Adoro o jeito dele com ela, mas parece um jeito meio fraterno, depois se eles forem ficar juntos vai parecer incesto. xDDD Ele eu imagino como o personagem de Sherlock Holmes, o seriado, não o Elementary. xD Depois te mostro foto. ;)

Ainda me parecem tãão Rin e Sesshy! Que nostalgia! Pensei até em terminar meus fics de Rin e Sesshy. xDDD Na verdade, são somente dois mesmo que publiquei mais, então acho que consigo. xD

A cena da escada foi a minha preferida, mas eu acho que ela devia ter caído e se machucado para ele cuidar dela. u_u Como ela é criancinha ainda, deixe para ela cair quando estiver idade para ficarem juntos para ele cuidar dele. *O*

Também gostei dessa cena porque ela chamou pelo nome dele, foi tão legal. o.o E ainda mais que chamou de uma maneira muito carinhosa, de apelido. :) Adorei essa parte! =D

Ahhhhh, dá para ter cena de febre!!! ADORO cena de febre, ele fica doente e ela vai ficar sentadinha lá do lado da cama ao lado dele, ownnn!!! >O<

No mais, adorei o episódio e tem o outro para ler, mas hoje acho que num dá tempo aqui, vou tentar ler em casa à noite.

Te amo! <3

history_teller From: history_teller Date: November 5th, 2013 04:42 am (UTC) (Link)

Re: Ah-há!!! Consegui ler enquanto digitalizo uns mil arquivos aqui! ;D

AH-HÁ! Finalmente leu né dhausdiahdiuhduasi é super feeling RinSess mesmo, saudades de escrever com eles também, quero fazer o fic que ela é adotada DHSUAIDHASI No começo parece mesmo um sentimento fraterno, porque a Aleera lembra da irmã mais nova dele, mas isso vai sumindo gradualmente \o\ E vá terminar os fics de RinSess, apoio totalmente essa decisão U_U/

Pode deixar que eu a faço tropeçar mais vezes no futuro distante dahudisahdiuah quando os dois já puderem ter uma relação romântica ao invés de pedófila DHSAUDHDIU

Bom, cena de febre... vai ler o capítulo 3 que já dá pra dar o gostinho DHSAUIDHDIHDIAS Amanhã conto mais detalhes das historinhas, que bom que gostou dessa também 8D Não é LisDean, mas dá pra usar algumas cenas fofas no decorrer do caminho dhausidhaids

Kissus, dear, tiamoooooo <3
lis_hillen From: lis_hillen Date: November 5th, 2013 11:34 am (UTC) (Link)

Re: Ah-há!!! Consegui ler enquanto digitalizo uns mil arquivos aqui! ;D

Sim, finalmente. Eu prometo e cumpro! u_ú

Tem super cara de amor fraterno, tomara que suma mesmo ou não conseguirei vê-los como casal. xDDD

Faça, vai ficar tãão bonitinho ela caindo e ele cuidando dela. *o* Sim, faça passar o tempo logo para ter cenas românticas. u.u

Vou ler assim que conseguir aqui no escritório, como viajo essa semana, tenho um monte de coisa para terminar antes. x.x Lis e Dean é Lis e Dean, mas eu me imagino com ele em toda cena fofa que vejo, então não tem problema. xDDDD

Amo também! <3
lis_hillen From: lis_hillen Date: November 4th, 2013 07:25 pm (UTC) (Link)

Esqueci de comentar! u_u

Que mordomo irritante, eu que não queria ter um assim! u_u
history_teller From: history_teller Date: November 5th, 2013 04:42 am (UTC) (Link)

Re: Esqueci de comentar! u_u

Ele é um mordomo muito útil u.u/
lis_hillen From: lis_hillen Date: November 5th, 2013 11:29 am (UTC) (Link)

Re: Esqueci de comentar! u_u

É muito chato e irritante, eu o demitiria. u.u
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