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Children of Death: Cap. II [+18] - Contos Perdidos
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Children of Death: Cap. II [+18]
Sem muitos comentários prévios ou póstumos, hahaha. Dessa vez mesmo, só estou feliz que consegui terminar o capítulo ainda para ser postado na segunda, como tinha prometido! Não tenho muito o que comentar, mudanças de ares vocês notarão ao ler o capítulo, e se estiverem dispostos a comentar, criticar, deixar comentários, ficarei muito feliz de recebê-los! Atenção aos avisos, por favor!! Então, sem mais demoras, boa leitura!

Disclaimer: É minha. (Cópias não-autorizadas estão sujeitas a processo judicial)
Avisos:
Contém cenas fortes e de violência. Classificação: +18

Children of Death

II. A Brisa Mais Suave

Um vento frio entrou pela porta aberta, fazendo as cortinas de seda se movimentarem lentamente, e a mulher que estava deitada confortavelmente na cama se revirar. A luz do sol matinal atingiu seus olhos quando seu rosto mudou de lado no travesseiro de penas. Ela levantou uma mão sobre o rosto, tentando evitar que aquela luz lhe incomodasse o sono tranquilo. Os cabelos longos e pretos se espalhavam pelo tecido claro das cobertas, e ela respirou fundo, virando-se na cama de novo e passando os dedos pelos cabelos para não caírem sobre seu rosto alvo. Finalmente abriu os olhos.

O quarto estava fracamente iluminado, o relógio de cabeceira marcava apenas 6h14 da manhã, a cama de casal estava bagunçada e fria além da parte em que ela estava deitada. Olhou ao redor no quarto com chão de madeira e decoração rústica. A única coisa que ouvia do lado de fora era o som dos pássaros cantarolando insistentes para anunciar o nascer do novo dia. Entretanto, algo estava faltando. O quarto estava vazio demais, silencioso demais… a cabana inteira estava daquele jeito. Com mais um suspiro pesado, ela resolveu se levantar, sentando-se na beira da cama e calçando os pés num par de sandálias beges. Havia outro par de sandálias ali, mas eram bem menores, para pés de criança, com certeza.

– Sempre descalça… – as palavras saíram automaticamente de seus lábios. Ela estendeu a mão para pegar um prendedor de cabelo em cima do criado mudo e amarrou os longos fios de um jeito qualquer. Levantou-se, vestida numa camisola de seda vermelha, e pegou um roupão de mesma cor, vestindo-o por cima da roupa à medida que andava lentamente até as portas de vitrais quadrados, que davam para a varanda, uma delas aberta tinha sido a responsável por despertar-lhe antecipadamente do sono.

Parou encostada à batente da porta, observando o horizonte, o verde se espalhando por todos os lados da casa, a grama crescendo alva e algumas flores silvestres se destacando à medida que os raios de sol refletiam no orvalho. Havia algumas árvores mais adiante, umas colinas, e ela sabia que havia também um pequeno lago. Era tudo completamente silencioso e natural… tão tranquilo e longe de problemas… mas os problemas sempre pareciam encontrar o caminho até elas.

Fechou o robe e voltou para dentro do quarto, pegando um maço de cigarros amassados ao lado da cama, e acendendo um. Deu uma tragada longa e soltou a fumaça lentamente. A mão livre coçou a nuca e jogou os fios de sua franja rebelde para trás da orelha. Finalmente voltou-se de novo para a varanda e saiu, com o cigarro nos lábios e os braços cruzados para se livrar daquela brisa suave e ao mesmo tempo incômoda. Andou em meio ao gramado molhado, por um longo tempo, sabia exatamente por onde seguir, guiava-se apenas por uma sensação tão familiar e pelos sons dos pássaros que pareciam realmente inquietos naquela manhã em particular. Tirou o cigarro da boca e continuou a andar pelo gramado, subindo uma pequena levada cheia de arbustos e com um par de árvores que ladeavam o caminho, uma delas com um balanço pendurado por cordas, que se movia lentamente ao som do vento matinal. Quanto mais se aproximava do topo da pequena colina, conseguia ver uma imagem se formando… primeiro os cabelos longos e avermelhados presos numa trança frouxa, depois os ombros mirrados e pontilhados de sardas, em seguida, a parte de trás do pijama de calças de bolinhas, e finalmente os pequenos pés descalços sobre a relva.

A mulher parou de andar quando estava a apenas dois passos de distância da criança. Tragou o cigarro novamente e jogou-o no chão, cruzando os braços de novo.

– Eu já disse que não pode andar por aí descalça, Kari. – a mulher falou, finalmente chamando a atenção da criança para sua presença. – Sabe que pode ficar gripada, ou até machucar os pés nessa grama, nem sabe onde está pisando, mocinha.

– Desculpe mamãe. – a menina se virou para ela, fazendo um bico inconformado. No rosto havia uma mancha vermelha bem peculiar. – É que eu esqueci de novo…

– Bom, da próxima vez, tente não esquecer. Se andar descalça, vai ficar com os pés grandes e de homem. – a mulher andou a curta distância que ainda a separava da menina e parou diante dela, no topo da colina. Naquele momento, o som dos pássaros cantando insistentes se misturou ao som da água corrente do rio que havia bem ali, diante do lugar onde elas estavam.

– É que eu saí de casa sem nem perceber. – a criança deu de ombros, e a mulher levantou a mão para limpar a mancha vermelha que havia no rosto dela.

– É, estou bem acostumada a isso. – ela desviou o olhar da criança.

Seus olhos calcularam que seriam necessários apenas cinco passos para estar a meio caminho de entrar no rio… e apenas a cinco passos a grama não era mais verde. O vermelho manchava toda a vegetação, o líquido ainda fresco e os restos de músculos e ossos contrastavam com a paisagem tão calma e reconfortante. O cheiro de sangue invadiu suas narinas, o rio carregava lentamente a cor para toda a margem e já alcançava positivamente mais de três metros de onde as duas estavam. Não havia sinal de qualquer criatura viva ali além delas duas e dos pássaros que insistiam em cantar. A quantidade de restos espalhados na grama, boiando no rio e até alguns possivelmente afundados não daria para definir ao certo de quantas pessoas se tratavam… mas ela sabia particularmente que aquele sangue pertencia apenas a duas pessoas adultas. A mulher ficou olhando a paisagem por um tempo, respirando fundo… percebendo como aquilo já não lhe afetava em nada depois de tantos meses. Diante do banho de sangue que tinha à sua frente e a menina que estava de pé ao seu lado, sua mais forte prioridade era cuidar do bem estar e da saúde dela.

– Podemos voltar pra casa agora, mamãe? – Kari perguntou, segurando o tecido do roupão de seda da mulher, levantando os olhos azulados e infantis para encará-la. – Kari não gosta muito do campo… é tão quieto.

– Não tem mais homens maus aqui? – a mulher colocou a mão sobre a cabeça dela, sorrindo-lhe gentil. A criança apenas acenou com a cabeça negativamente. – Tudo bem, vamos voltar pra casa.

– Eba! – a menina deu um salto na grama, sorrindo largamente e satisfeita.

– Agora vamos voltar pra dentro, pra você calçar as suas sandálias. – ela passou a mão pelos ombros pequenos da garota e a guiou de volta para a cabana. – O que vai querer para o café da manhã?

– Quero torrada com geleia de morango. – a menina praticamente saltitou, avançando alguns passos a frente da mais velha.

– Vamos ver o que podemos fazer.

A mulher cruzou os braços de novo, acompanhando o passo da menina. Os pássaros continuavam a cantar e ela começou a achar o som incômodo. A brisa fria soou de novo e a seda de seu roupão dançou junto ao vento. Mesmo tendo se instalado numa casa completamente estranha no meio do nada no dia anterior, simplesmente a pedido de Kari, aquela noite tinha sido extremamente calma e seu sono não poderia ter sido mais tranquilo… era apenas mais uma manhã, uma manhã como qualquer outra que vivia há mais de um ano. E os dias continuavam a passar, e os pedidos continuavam a surgir.



O relógio apitou para informar que mais uma hora tinha passado. Eram quatro da manhã e o sol ainda não dava sinal de que nasceria. Jann continuou a fitar o teto manchado do pequeno quarto de hotel em que estavam ficando naquela semana. Aosta era uma cidade bonita e dava um ar de nostalgia… todas aquelas cidades antigas lhe lembravam firmemente das missões que fizera no Oriente Médio e a quantidade de atrocidades que participara. Elas tinham lhe incomodado as memórias por muito tempo… mas naquela noite em particular, acordado e pensativo, não estava se sentindo incomodado em nada. A sua única preocupação era se Nene estava tendo um sono tranquilo na cama de solteiro ao lado da dele, enrolada num grosso cobertor marrom e com a cabeça deitada num travesseiro de espuma alto demais para seu corpo pequeno.

Ele rolou na cama e ficou observando a criança. Ela dormia profundamente, como qualquer outra criança devia dormir àquela hora da madrugada… fazia exatamente um mês e dezoito dias que ele a tinha encontrado. Fazia um mês e dezoito dias que ele era “pai”. Ainda não sabia direito o que fazer ou como agir, mas por incrível que parecesse, era como se ela estivesse lhe ensinando… sendo apenas uma criança comum. Sim, ela não passava de uma garotinha que chorava, esperneava, ficava triste ou feliz, fazia birra, era mimada. Nada além de uma criança como qualquer outra… que de alguma maneira inexplicável consegue seguir pessoas “más” – nas palavras que ela usava – e matá-las de uma forma que ele também não podia entender. Mas aquilo não era nada demais, não era mesmo? Ela ainda era uma garotinha indefesa, como qualquer outra.

O relógio apitou novamente para informar que já eram cinco da manhã, e Nene se mexeu na cama, procurando uma posição mais confortável e fazendo com que o cobertor escorregasse até sua cintura. Ele se levantou, andando apenas dois passos até a outra cama e a cobrindo devidamente até o pescoço. Ela dormia tão profundamente que nem percebeu quando ele a arrumou na cama e ainda tirou os cabelos da frente do rosto infantil e alvo.

Voltou para a sua cama e pegou um maço de cigarros em cima do criado-mudo, ao lado do relógio que já marcava cinco minutos a mais que da última vez. Tirou um cigarro e pegou o isqueiro no bolso para acendê-lo, mas sua atenção foi chamada quando a luz do visor do celular acendeu e ele notou uma nova ligação desconhecida sendo recebida. Pegou o aparelho e saiu do quarto a passos largos e silenciosos. Não esqueceu o cigarro e o isqueiro, quando estava do lado de fora, fechou a porta com cuidado e andou até o estacionamento. O sol já tinha despontado no horizonte e o clima começava a ficar mais quente. Ele não precisou atender a ligação, ao contrário, quando saiu do quarto, desligou o celular e colocou-o de volta no bolso, os olhos pousando sobre uma figura conhecida que se aproximava do hotel, passando por dois carros estacionados e parando encostado na traseira de um deles.

Jann ainda ficou parado por um minuto, tomando seu tempo para colocar o cigarro na boca e acender o isqueiro. Guardou o objeto de volta no bolso e deu uma boa tragada no cigarro, soltando a fumaça demoradamente. Com o cigarro preso na boca, colocou as duas mãos nos bolsos e andou até o homem que estava parado a cinco metros de distância dele. Parou exatamente ao lado dele, encostando-se também à traseira do carro.

– Hei, Jann… como tem passado? – o homem foi o primeiro a falar. Vestia uma calça jeans surrada, botas marrons e um casaco com capuz que cobria parcialmente seu rosto. Jann não se preocupou em olhar diretamente para ele, parecia muito mais interessado em fitar a estrutura do hotel em que estavam hospedados. – Faz um bom tempo que não nos falamos.

– É, tive alguns problemas durante o serviço. Nada preocupante. – respondeu Jann, tragando o cigarro de novo. – Então, o que tem pra mim?

– Consegui os documentos que pediu. – ele tirou um pacote de dentro do casaco e entregou a Jann. – Enquanto estiver de passagem pelos países por terra, acho que não vai ter muitos problemas. Mas é sempre bom lembrar que está sendo perseguido.

– Não precisa me lembrar disso. – Jann segurou o pacote.

– Eu realmente queria saber o que deu na sua cabeça para fazer aquilo com a divisão da Síria. – o homem virou-se finalmente para Jann, puxando o capuz e mostrando um cabelo castanho curto, em corte militar, e uma cicatriz no lado esquerdo do rosto que ia da testa até o queixo. – Afinal o que aconteceu em Al Basrah? E quem diabos é essa menina?

– Obrigado pelos documentos, Mat, vão ser muito úteis. – ele deu uma última tragada no cigarro e jogou-o no chão, pisando na chama acesa. – Agora já pode ir.

– Esses são de graça, por Cabul. Mas da próxima vez, é melhor ter meus vinte mil prontos. – disse o outro homem. – E sobre Al Basrah… é bom começar a contar os dias, porque eles estão muito furiosos, com o que quer que tenha acontecido.

– Até mais, Mat. – Jann deu as costas para ele, voltando a caminhar na direção do quarto em que estavam hospedados.

– Você não tem jeito mesmo, Jann. Se precisar de ajuda, eu não estou aqui. – ele voltou a cobrir a cabeça com o capuz, colocou as mãos nos bolsos do casaco e andou a passos apressados para longe do estacionamento.

Jann apenas lançou um olhar rápido para trás, certificando-se que ele já tinha sumido de vista, e apressou o próprio passo na direção do quarto. Com a presença de Mat ali, mesmo que fosse em sua ajuda, daria uma hora, talvez duas… para que pudessem lhe achar também. Precisava ser rápido e fugir, mais uma vez.

Entrou no quarto e fechou a porta de chave e com a trava da corrente mais acima, observou o pacote que tinha em mãos e ia tirar o conteúdo dele, quando sua atenção foi totalmente desviada para a outra cama de solteiro. A garota estava sentada na cama, as mãos pousadas sobre o lençol que ainda cobria suas pernas. Os olhos grandes e acinzentados encaravam Jann de uma maneira curiosa e interessada. Ele hesitou por um momento, o olhar intenso dela sempre surtia aquele efeito nele.

– Aquele era um amigo do papai? – a criança questionou, levantando uma das mãos para coçar o canto do olho, bocejando longamente. – O que o senhor trouxe? Isso é pra Nene?

– É para nós dois. – disse Jann, seguindo até a cama e sentando-se, abrindo finalmente o envelope. – Já que está acordada, é melhor se trocar, nós já vamos sair.

– Mas já?! – ela se levantou da cama, calçando as pequenas sandálias que estavam no chão, e andou até Jann, apoiando as mãos nas pernas dele e olhando curiosa para dentro do envelope. – O que é, papai?

– Não é nada demais. – ele tirou os documentos de dentro do envelope, conferindo os novos nomes e as identidades, além do dinheiro que tinha ali.

– Ah! Essa é a Nene! – a menina pegou o documento que tinha sua foto, franzindo o cenho logo em seguida numa notável expressão de confusão. – Mas não é a Nene… aqui chama Anya.

– Agora quando os outros perguntarem à Nene o nome dela, ela vai dizer que é Anya. – Jann disse, conferindo a própria identidade que constava o nome Alexei Volkov.

– Mas por quê?! – ela parecia emburrada com a ideia. – Nene é Nene, Nene não é Anya!

– Vai ser uma brincadeira só nossa, certo? – o tom dele era de confidência. – Só eu posso chamá-la de Nene, entendido? Se outra pessoa souber seu nome, você perde o jogo e o papai ganha.

– Ahhh! – a compreensão iluminou o rosto da garota e ela pareceu gostar extremamente da ideia quando o sorriso se alargou. – Então tá! Nene é só Nene pro papai!

– Isso mesmo. – Jann deixou um sorriso simples surgir nos lábios e passou a mão no topo da cabeça dela. – Agora vá trocar de roupa que vamos sair para tomar café e viajar.

– Vamos viajar de novo?! Vamos de trem?! Trem é divertido!!! – ela deu pulinhos enquanto seguia até o outro lado do quarto, uma mala pequena guardava roupas dela e ela tirou umas peças de lá para ir até o banheiro, ainda falando consigo mesma.

Jann observou os passos da menina até ela entrar no banheiro e continuar cantarolando algo sobre viajarem de trem. Todos os dias eram daquele jeito… todos os dias eram aquela animação. Ela não parecia, em nenhum aspecto, uma criança fora do normal. Sorria, chorava, brincava, se divertia… e ele tinha que brincar na mesma brincadeira que ela. Já não sabia mais se fazia aquilo por uma tendência de se proteger… não sabia do que ela era capaz se ele a contrariasse. Mas também não tinha a menor intenção de contrariá-la, continuava agindo com ela como se fosse um pai, fosse para concordar com os mimos, fosse para deixá-la de castigo. E aquela relação que parecia ter se estabelecido de uma maneira tão forte não podia ser definida de outra maneira em sua mente senão como “estranha”.

– Estranhamente natural… – ele completou o pensamento, ao olhar os documentos e perceber que tinham o mesmo sobrenome. Exatamente como pai e filha.

Ele não demorou mais de dez minutos para reunir tudo o que estava no quarto e limpar o local, apagando qualquer traço de que estivera ali sozinho ou acompanhado. Carregava apenas algumas trocas de roupa, dinheiro vivo e um conjunto de armas e munição dentro da grande mochila preta. Nene também tinha poucas trocas de roupa, eles sempre compravam coisas novas quando estavam em outra cidade, e ela tinha uma bolsa que condizia com seu tamanho, embora ele carregasse maior parte das coisas dela.

Quando a menina saiu do banheiro já com outra roupa, os cabelos bagunçados, pegou a pequena mochila rosa e caminhou até o lado de Jann, segurando a mão dele e olhando-o intensamente.

– Agora podemos ir, papai. – ela disse. – Nene fez tudo direitinho, e escovou os dentes, e trocou de roupa, e até amarrou os sapatos. – apontou para os laços emaranhados nos calçados pequenos.

– Boa menina… mas esqueceu de pentear os cabelos. – Jann constatou, passando os dedos longos pelos cabelos extremamente lisos dela, que se arrumaram facilmente.

– É que Nene tem o cabelo curto… sempre esquece. – ela puxou um fio da franja e tentou observá-lo, mas não teve muito êxito. Soprou os fios de cabelo e praticamente saltitou para fora do quarto de hotel, puxando Jann à medida que andava. – Vamos logo, papai! Vamos procurar outro trem pra pegar!

Jann não respondeu, apenas seguiu a menina segurando firmemente em sua mão, evitando que ela se desviasse do caminho e se perdesse em qualquer das vielas desconhecidas da pequena cidade italiana. Aquilo acontecera três vezes enquanto eles viajavam durante aqueles quarenta e oito dias até alcançar Aosta… em uma de suas paradas, a menina saía do caminho, seguia por ruas e vielas desconhecidas, como se soubesse exatamente por onde estava indo. Por três vezes ele a perdeu de vista, e quando a encontrou, a visão ao seu redor o lembrava exatamente da noite no prédio abandonado de Al Basrah. Para um ex-agente perseguido e… o que quer que Nene fosse, o rastro de sangue nada discreto era um grande problema para que eles conseguissem se esconder com efetividade. Por outro lado, aquelas mortes apenas o deixavam mais curioso, mais atento aos trejeitos da menina, e mais desesperado por descobrir porque, durante aquela noite em que estavam numa missão em busca de terroristas, ela se tornara o alvo principal.

Foi com aquele pensamento em mente que ele seguia pelos caminhos menos suspeitos, buscava os informantes mais seguros, e agora estava se aventurando por uma tentativa mais acertada de descobrir do que tudo aquilo se tratava, quando entrou num ônibus na estação de Aosta para seguir até Stuttgart. Uma longa viagem, com longas paradas. Independente de conseguir ou não um resultado, ou melhor, independente do que o resultado se mostrasse, ele só tinha certeza da mesma coisa dia após dia: precisava cuidar bem de Nene.

Quando entraram no ônibus na estação, pouco antes de 11h, Nene ainda fez uma cara emburrada por estarem usando um ônibus para viajar, e não um trem. Mas como qualquer outra criança, em menos de dez minutos, ela tinha adormecido profundamente, a cabeça deitada nas pernas de Jann, enquanto o transporte seguia pela rota costumeira, com seus passageiros não tão costumeiros.

Ele olhou atentamente ao redor, olhou também para fora da janela durante um longo tempo. Ainda não havia sinal de que tinham sido encontrados ou de que estavam sendo seguidos, e aquele era um bom sinal. Quando alcançassem Stuttgart, por outro lado, talvez a jornada ficasse mais difícil, e ele ainda tinha que depender constantemente dos caminhos desconhecidos que Nene tomava sem precisar de sua permissão.

– Espero que hoje seja um dia tranquilo, não é, Nene? – ele olhou a garota adormecida, passando a mão pela cabeça dela, tirando os cabelos da frente do rosto. O ônibus parou mais vezes, e ele continuou apenas a esperar.

A visão do lado de fora da janela era reconfortante. Passavam-se algumas cidades, áreas verdes, bosques, vilas pequenas, e mais cidades… as constantes paradas tornaram a viagem desconfortável em certo ponto, e ainda arrancaram as reclamações infantis da menina, mas ela começou a saltitar animada quando mudaram para um trem em Martigny e as mudanças de estações continuaram tais até Basel. Mesmo mudando de trem, Nene começou a ficar cansada de ter que andar tanto de um a outro, por mais que gostasse da viagem e aquela era a quinta vez que mudavam de transporte. Para Jann, por outro lado, aquilo era apenas uma reafirmação. Quanto mais o ambiente mudava e quanto mais eles se afastavam de onde tinham estado, mais seus traços eram apagados e seus rostos não tão incomuns esquecidos. Ele precisou segurar uma criança emburrada nos braços e deixá-la fazer o resto da viagem sentada em seu colo, ao lado da janela, para que ela não começasse a chorar pelo simples fato deles não terem chegado ao seu destino depois de tantos trens. Já passava de quatro da tarde quando embarcaram em Basel, seguindo para Karlsruhe antes de tomarem um último transporte para Stuttgart. Mas até ele estava tão cansado, que mesmo que a noite fosse o melhor período para se viajar, estava considerando seriamente parar na próxima cidade e dormir… Nene também precisava daquilo. Tinha que lembrar que estava agora cuidando de uma criança e os horários dela tinham que ser muito mais certos do que os seus, mesmo que estivessem em meio a uma fuga, e mesmo que continuassem sem um rumo certo.

A noite em claro e o dia de viagens pesaram eventualmente na mente de Jann. Fazia vários dias que ele não dormia direito, e a soma da quantidade de horas que ficava em estado de alerta o estava atingindo de uma maneira bastante desconfortante. Ele estava fraco, e não gostava daquela sensação… o corpo estava pesado, a cabeça estava pesada, tudo estava colaborando para que sua atenção diminuísse e seus sentidos adormecessem. Aquilo quase aconteceu, quando o trem anunciou a próxima parada em Baden-Baden. Ele virou a cabeça e a encostou no vidro, mas logo sentiu um movimento súbito, e precisou abrir os olhos cansados para confirmar que Nene tinha simplesmente saltado de suas pernas, no exato momento que o trem parou na estação.

A dormência e o cansaço se dissiparam de uma forma extraordinária. O coração acelerou e ele só sentou para confirmar que a criança tinha corrido na direção das portas do trem que tinham acabado de abrir, saltando dele para a plataforma sem dar muita atenção ao movimento ao seu redor. Ele se levantou, correu até as portas minutos antes delas se fecharem, os olhos levemente arregalados e o coração palpitando. De novo… estava acontecendo de novo.

– Nene! – chamou pela menina, em meio ao grande fluxo de pessoas na plataforma. Ela caminhava lado a lado do trem expresso, pisando na linha de segurança como se fosse uma brincadeira… os passos curtos eram rápidos e quase urgentes.

Jann apressou o passo para segui-la e ainda esbarrou em várias pessoas no caminho. Logo o trem tinha partido, continuando o caminho até Karlsruhe, onde eles deviam ter descido. Mas Nene não parecia se importar com aquilo, e nem parecia mais estar dando valor ao fato de que gostava tanto de andar neles. Ela continuou a andar tão rápido que logo o fluxo de pessoas diminuiu, logo ela estava na beira da plataforma, sem nenhum trem se aproximando, e continuava a andar. Por algum motivo que ele não conseguiu entender, seus passos estavam pesados, e foi difícil acompanhar a garota. Talvez todo o cansaço acumulado estivesse travando-o. A respiração ficou falha quando viu que ela sentou-se na beira da plataforma e logo pulou para pisar nos trilhos, segurando-se ainda à plataforma com as pequenas mãos, para conseguir parar de pé. Nenhum trem estava à vista, mas Jann pulou desesperado no mesmo caminho que ela.

– Nene! – gritou de novo. Sabia que ela podia ouvi-lo, estava perfeitamente dentro do seu alcance. Mas ela não se virou para responder nem parou de correr entre os trilhos.

O barulho da estação começou a sumir, ficar distante. Jann não entendia como ainda não a tinha alcançado. Apressou mais o passo e se cansou mais. Finalmente estendeu os braços para segurá-la pela cintura, e conseguiu agarrar a menina a tempo, a respiração falha e ofegante, o coração acelerado, os dois parados nos trilhos do trem.

– Nene, por Deus, o que está fazendo?! – ele perguntou, alarmado. A menina não o encarava, os olhos grandes e acinzentados sequer piscavam enquanto observava algo por cima do ombro de Jann, na mesma direção em que estivera andando.

– Olhe, papai, é um gatinho… – os olhos dela continuavam fixos num ponto, enquanto estendeu o pequeno braço para indicar um ponto às costas de Jann.

Ele virou o rosto. Não precisava tê-lo feito. A prioridade era saírem dos trilhos, mas ele não o fez. Os olhos pousaram sobre o que ela apontava, e mesmo que dissesse com aquela voz tão infantil que era um gatinho… tinha que admitir que era apenas uma criatura desconhecida e maltratada, as entranhas a mostra e restos de pelo branco manchado em vermelho cobrindo parte dos trilhos. O sangue ainda estava fresco.

– Nene… temos que voltar pra estação. – disse Jann, desviando os olhos da criatura dilacerada.

– É um gatinho tão bonitinho. – os olhos dela continuavam vidrados, a mão apontando para os restos do animal. – Por que fizeram isso com ele?

E finalmente os olhos dela se voltaram para ele. De um jeito infantil e ingênuo… era um encarar assustador. Jann sentiu mais uma vez que uma batida de seu coração falhava, e a voz ficou presa na garganta. Por um minuto, apenas continuou encarando-a, ela não piscava… nenhum trem veio por aqueles trilhos.

– Provavelmente… o trem passou por cima dele sem que ele percebesse, Nene. – Jann tentou explicar. Mas se olhasse de novo para os restos, teria certeza de que aquele estrago não tinha sido feito por um trem.

A menina o encarou ainda em silêncio. Os olhos acinzentados pareciam não ter brilho nenhum. Jann sentiu uma dor leve e aguda no rosto, pouco abaixo do olho esquerdo.

– É mentira. – Nene respondeu, e tirou os olhos dele, voltando a encarar o bicho jogado nos trilhos.

Exatamente naquele momento, o som de algumas vozes invadiu o ambiente. Jann estava de costas para o lugar das vozes, mas elas vinham do mesmo lugar para onde a garotinha olhava.

– Hahaha! Viram! Eu disse que tinha o jogado aqui! – a voz era masculina, de um jovem, provavelmente, e o sotaque alemão era pesado. Jann não precisava se virar para saber que devia ser algum adolescente. O que ele não sabia era se aquele idioma também era compreensível aos ouvidos de Nene… ou o que ela podia entender em geral. – Quero ver o que vai acontecer quando um trem passar por cima dele!

– Urgh! Você já abriu o gato todo, pra que quer ver o trem passar em cima dele? – mais uma voz de adolescente. Jann não olhou para trás.

– Ei, olhem só… o que aqueles dois estão fazendo nos trilhos? – uma terceira voz, e Jann sabia que estavam se referindo a ele e a Nene. – O que está olhando, garotinha?!

– Ei, moço! Se não saírem daí, o trem vai acabar com os dois! – outro garoto gritou para ele, mas o tom não era de preocupação, era de divertimento.

– Vai ser interessante ver o trem passando por cima deles! Eu nunca vi isso ao vivo! – o primeiro garoto voltou a falar. – Melhor do que só passar em cima do gato! Estou cansado de ver bichos morrerem, eles morrem muito fácil!

Jann virou o rosto na direção deles, mas não olhou para os três exatamente. Eles começaram a rir e comentar alguma coisa, enquanto Nene ainda os encarava, sem piscar uma vez sequer.

– Ei, papai… por que fizeram isso com o gatinho? – ela perguntou novamente.

O coração palpitou de novo. Jann voltou o olhar do gato morto para a filha. Ela não devolveu o olhar dele. Já sabia, há algum tempo, que Nene não era o tipo de criança que aceitava mentiras brancas, e mesmo que seu instinto insistisse nelas, sabia também que não adiantaria. A resposta deixou seus lábios sem que ele mesmo percebesse ou pestanejasse ao encarar o rosto alvo da menina.

– Por que eles são maus.

– Ele são, não são? – aquilo era uma afirmação. Ela apoiou o queixo no ombro de Jann e os olhos grandes se fixaram nos três garotos. Jann não precisou olhar para eles, e ouviu um grito de dor, e dois gritos de horror.

Quando o soldado virou o rosto, foi apenas a tempo de notar um dos adolescentes caindo da plataforma, um corte profundo surgira em seu corpo, partindo desde os quadris até os ombros, expondo músculos e órgãos internos enquanto ele caía pesadamente nos trilhos, bem ao lado dos restos do gato. Os outros dois o observaram aterrorizados, um deles tinha gritado, as reclamações e xingamentos em alemão foram tão rápidas que se tornaram quase incompreensíveis para os ouvidos do soldado. Sangue manchava as roupas e os rostos deles. As atenções se voltaram para a dupla incomum que continuava parada de pé nos trilhos, sem parecer se importar com o ocorrido. Jann percebeu quando um deles encarou Nene direto nos olhos, e naquele momento, os olhos dele sangraram, como se tivessem sido cortados por algo muito afiado e invisível… antes que o companheiro pudesse correr, ou ao menos gritar, também entrando em desespero, o sangue fluiu de sua garganta, com mais um corte que parecia ter vindo de lugar nenhum.

Eles não passavam de adolescentes. Em seus quinze ou dezesseis anos, talvez, mas Jann não se importou nem se sentiu afetado ao observá-los agonizar com a quantidade de dor e sangue que escorria enquanto o corpo não conseguia simplesmente morrer. Um deles com a mão sobre os olhos, o segundo com a mão sobre a garganta, em desequilíbrio, ele caiu sobre os trilhos e as pernas bateram com força no chão, provocando mais dor e mais necessidade de gritar, o que foi impossível com o sangue entrando em sua garganta. Aquele que cobria os olhos machucados parecia ter perdido a voz, tentava gritar, ou pedir socorro, as palavras em alemão eram indistintas. Ele afastou-se do que achava ser a beira da plataforma e suas costas bateram na parede. Abriu a boca largamente, puxando o ar com força, querendo pedir ajuda, querendo ao menos gritar e se livrar da agonia. Foi inútil. Um ferimento surgiu no peito, atravessando a área em que devia estar o coração pulsante dele… o que havia além da pele foi arrancado para fora por algo que não existia. O corpo pendeu para frente, sem vida, e apenas se juntou ao amontoado já sobre os trilhos. Os restos do pequeno gato continuavam intocados, apenas manchados por mais sangue fresco. Apenas o garoto com a garganta cortada continuava agonizante, e assim como Nene, que não piscou ou desviou o olhar um minuto sequer, Jann o observou, em instantes, ele tinha apenas se unido aos amigos num mundo além e desconhecido.

A cabeça de Nene pendeu para o lado e encostou-se ao pescoço de Jann, descansando os braços sobre os ombros dele, segurando-se mais confortável ao aperto do ex-soldado. Uma brisa leve tomou conta do lugar, e o cheiro de sangue alcançou os sentidos treinados de Jann.

– Ainda vamos andar de trem hoje, papai? – ela perguntou, fechando os olhos como se estivesse prestes a tirar um cochilo.

– Só mais um… e daí podemos descansar, tudo bem? – Jann disse, finalmente voltando a andar na direção da estação, subindo na plataforma como se nada demais tivesse acontecido.

– Nene gosta de trens… mas Nene está cansada de tantos trens. – ela respondeu, fazendo bico.

– Prometo que vai ser o último por hoje. – ele disse, e continuou a andar até encontrar novamente o fluxo de pessoas que se aglomeravam para pegar o próximo expresso. Mudou de plataforma, ainda levando a garota nos braços. Não seria muito inteligente esperar pegar um trem que fosse passar por aqueles trilhos em particular.

– Tá bom, então Nene vai de novo no trem. – a garota concordou, parecendo levemente contrariada.

– Boa menina. – Jann respondeu, e parou diante da nova plataforma, ouvindo o anúncio nos alto-falantes da aproximação de um novo expresso, com destino a Karlsruhe. Esperou paciente atrás da linha de segurança, assim como as poucas pessoas que tomariam o mesmo destino que ele.

Quando o trem passou, provocou um vento que balançou os cabelos loiros sobre seu rosto. Ele embarcou na plataforma, as portas se fecharam, e depois de sentar, pôde ver um certo burburinho se formando além do vidro, entre pessoas que não tinham embarcado, que olhavam para a direção de onde ele tinha vindo com Nene, onde tinham deixado uma marca de passagem não tão discreta quanto ele gostaria… o trem voltou a andar e o tumulto que começava a se formar ficou para trás, deixando apenas comentários vagos sobre o que estava acontecendo pairando no ar dentro do trem. Mas mais do que os acontecimentos que se seguiam lá fora, uma coisa em particular lhe chamou a atenção. Exatamente debaixo do seu olho esquerdo, um pequeno corte havia surgido, e um filete minúsculo de sangue escorria por ele. Nene ainda estava em seus braços e parecia ter adormecido novamente e em pouco tempo. Ele levantou uma mão para limpar o pequeno rastro com o dedo e sentiu uma leve ardência. Continuou a encarar sua imagem refletida no vidro, a cabeça cheia de fios louros, quase prateados, encostada em seu corpo, bem debaixo do seu queixo.

Enquanto o trem ganhava aceleração para a penúltima parada antes de seguir para Stuttgart, aquele pequeno corte lhe fez fixar um pensamento na cabeça, como uma regra que não poderia ser negligenciada nos dias que se seguiriam daquela jornada incerta: sem mais mentiras. Ele fechou os olhos, esperando pela próxima parada, pelo próximo quarto de hotel em que ficariam por mais uma noite. Uma tranquilidade familiar se apoderou de seu corpo, e ao apertar mais os braços em volta do corpo pequeno, sentiu que aquela seria uma noite calma, em que poderia certamente descansar.

II. A Brisa Mais Suave [FIM]

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12 comentários / Deixe um comentário
Comments
jhulha From: jhulha Date: May 14th, 2013 04:14 am (UTC) (Link)

UoU

Esses meninos são maus, não se faz isso com criaturas fofas como os gatinhos, mereceram o castigo.

O Olhar da Nene deve ser bem sinistro, ela não piscar, não fraqueja, mantem essa ar gelado, e ao mesmo tempo ainda tem aquele ar fofo que poucas crianças ainda tem nos dias atuais, uau, isso é que é uma assassina fria,se ela fez essas pequenas barbaridades com esses assassinos de animais, imagino com outras criaturas.

Serio, eu raramente consigo imaginar as cenas de algo que estou lendo na net, é bem difícil isso acontecer, eu me distraiu facilmente, mas você me prendeu ao ponto de eu ver claramente esse dois.
*.*

Fato estranho que ambos os pais das crianças adoram um cigarrinho. kkkkkkk

p.s. Inadmissível que a pessoa que eu mais ouço cobra, que sempre deve se revisar a gramatica do que escreve, cometendo esse erros bárbaros. kkkkkkkkkkk Achei finalmente a prova de que Deus é falho. o/
history_teller From: history_teller Date: May 14th, 2013 04:46 am (UTC) (Link)

Re: UoU

Hei!! Tem que dar um desconto!!! XD eu ia revisar, mas se fosse fazer isso, não ia ter capítulo hoje xD tá pra ser revisado ainda!! Qual foi o erro bárbaro??? Tinha que ter dito pra eu consertar logo xD

Btw, a Nene é uma coisa muito fofa gente!!! Pois é, coincidiu que esses dois pais são chegados num cigarro, achei que combinaria com ambos, mas não acontece com todos não xD vamos ver o que os próximos capítulos reservam, e amanhã farei questão de revisar só por causa desse comentário xD os próximos capítulos vão demorar só na revisão agora huehuehuehuehue mereço um desconto que tava empolgada pra postar logo xD

Aliás, que bom que as imagens conseguem prender a atenção, hein!! *-* e sim, o olhar vidrado da Nene chega a ser muito sinistro xD

Até o próximo capítulo!! Sem erros, espero xD valeu por comentar :D
history_teller From: history_teller Date: May 14th, 2013 01:19 pm (UTC) (Link)

Re: UoU

Bom, eu reli ONTEM DE MADRUGADA por causa desses erros! XDDDDD Eu consertei alguns, não sei se todos, depois me diz onde tavam pra eu conferir XDDD
themfernandes From: themfernandes Date: May 17th, 2013 11:43 pm (UTC) (Link)
Deeeeeeeeeeeeeus, que capítulo FODA *-*

Como prometido, achei finalmente tempo hábil pra me dedicar a leitura correta dessa história que estou aprendendo a gostar cada vez mais :33 É um misto de suspense, horror, infantilidade macabra, teorias da conspiração (tudo que envolve fugitivos + exército pra mim é o encaixe perfeito pra esse gênero hahaha) e um sentimento dúbio que nutro pela Nene de temor e proteção, deve ser praticamente a mesma coisa que o pobre e encurralado do Jann tem se visto nesses últimos meses fugindo na companhia dela

Eu fiquei curiosa sobre essa Kali, a princípio pensei que fosse a Nene, mas agora estou com as minhas dúvidas

A parte do gato me deixou com um nó na garganta e confesso que imaginar os corpos dilacerados dos adolescentes caindo por cima dos restos do bichano me deixou levemente com náuseas hahaha O que eu valorizo e parabenizo, mostra que suas descrições estão no rumo certo :33

Eu confesso que estou doida pro exército ou os federais, seja lá quem estiver no encalce dos dois, os acharem logo para termos mais ação! (isso se estiver previsto nos seus planos, né hahah) E gostaria de ver o Jann em ação, afinal ele é um soldado mercenário e eu acharia foda vê-lo manusear essas armas de nomes que eu nunca consigo gravar pra proteger a Nene.. Mas não se se seria o ideal e como você faria para dar espaço dele agir sem que ela interferisse, afinal, basta um olhar e a guria BOOM acaba com tudo que nem seria preciso um tiroteio né ahahah xD (dá sonífero pra ela hahaha ou sei lá, ela tem algum "ponto-fraco"? tipo kriptonita pro Superman? hahaha)

Por fim, eu confesso que a cena do corte me arrepiou.. Foi tipo: UOU, essa menina é macabra! Se o papai dela a contrariar profundamente (não no sentido de cotidiano pai e filha, que isso você desenvolveu de maneira leve e cativante nos dois, é inclusive a parte fofa do capítulo né), mas no sentido dele querer impedi-la de acabar com os alvos dela, os homens maus o.o Me deu medo, cara! hahahaha
Imagina ela no final explodindo ele? Ai que horror DDD: Não me diga que foi isso que você pensou pro final né? :OOOO (Na verdade não diga nada pra gente não ter spoiler hahahahah)

Enfim, está cada vez mais sensacional.. Hora eu fico com ataque de fofura em ver essa simbologia da proteção pai e filha nos dois, a inocência infantil mesclada a força bruta de um ex soldado mercenário e hora eu fico suuuuper tensa no quanto a Nene consegue ser macabra e o jogo se inverte, o pobrezinho do Jann se torna um bichinho desolado incapaz de fazer nada a respeito, completamente encurralado por ela (e eu já nem me atrevo a pensar se é proposital ou não, que criancinha fofa e medonha, deus! hahaha)

Aguardando ansiosa a continuação :33 É minha segunda história favorita aqui, perdendo apenas, obviamente, pra minha sereiazinha (engraçado né? super antagônicas as duas hahah sou uma pessoa ~eclética~ :P)

Um beijo meniNENE hahaha :P (piadinha infame hahah) ;*
history_teller From: history_teller Date: May 18th, 2013 12:53 am (UTC) (Link)

*_* (parte um)

AMAY seu comentário gigante, porque né... adoro comentários gigantes e detalhados assim *_* Ce falou várias coisas que me deixaram muito feliz e muitíssimo obrigada por ler e comentar, menine *3*

Primeiro esclarecimento a ser feito XDD A menina que aparece no começo é outra menina... tem os mesmos poderes da Nene, não está exatamente no mesmo tempo da Nene, essa cena pode ter se passado meses ou até anos antes da Nene aparecer... é uma coisa que eu vou mostrar no começo de cada capítulo nessa parte em itálico, sempre uma criança nova, sempre uma que é parecida com a Nene, pra mostrar que ela não é e não foi a única desse jeito XDD Tanto que adorei a discrepância no começo da responsável pela Kari estar mais preocupada com a menina descalça do que com os corpos que ela viu dilacerados XDDDD

Hehehehe, né! Sentimento de medo e proteção é exatamente o que persegue o Jann durante esses quase dois meses!!!! Coitado, está super desentendido na própria cabeça... por mais que ele tente pensar mais coisas, descobrir o que a Nene é, enfim (o que o faz ficar várias noites em branco), ele sempre se vê superado pelo sentimento de protegê-la acima de tudo. XD AHHHH e sobre o exército, federais, etcssss que estão atrás dele (é a CIA, isso eu posso dizer dhasudisahduisa XDD) sim, vai ter um momento que vão se aproximar... eu confesso que ainda não está certo na minha cabeça, mas posso dizer um spoiler básico que no próximo capítulo vai ter um momento de afastamento entre o Jann e a Nene 8DDD hahahaha, como isso vai acontecer, só esperando pra ver!! dhasudhashusa

Eu quero muito colocar o Jann em ação... mas o meu foco fica muito na Nene atrás dos homens "maus", não pra eu mostrar ela matando as pessoas, e eu tenho que admitir que fico feliz de ver que você conseguiu imaginar bem a cena dos moleques dilacerados em cima do coitado do gato! Hahaha... Então, continuando, não pra mostrar ela matando as pessoas em si... mas pra mostrar os tipos de humanos atrozes que existem no mundo e o tipo de maldade que eles podem fazer... o primeiro capítulo foi um grupo de adolescentes que mata animais... imagine o que eu imaginei de humanos ruins pra aparecerem daqui pro décimo capítulo. EUUU fico impressionada com coisas que vou colocar na história, portanto eu tenho esse instinto de realmente reforçar que é pra maiores de 18... por enquanto pode tá leve, mas pode chocar num futuro XDDD (tanto que eu já disse pra uma amiga minha não ler que sei que ela num aguenta XD)

E a cena dela cortando o Jann, gente, eu adorei fazer!!! Hahaha!!! Pois é! Jann não pode contrariá-la! Mas você vai notar daqui pra frente que existe um certo limite que a Nene não gosta que o Jann cubra... por exemplo, as "mentiras brancas"... a Nene é uma criança que vai atrás de pessoas ruins (não vou explicar o motivo, porque né... spoiler XDDD) ela não gosta de pessoas ruins e usa esse poder contra essas pessoas. Se o pai dela tenta amenizar a visão do 'mundo', como qualquer pai normal faria, e tenta contar mentiras brancas pra ela... bom, não é uma ótima ideia. Digamos que a Nene vê o mau do mundo, e não tem como tentar fantasiá-lo de bonito, como o Jann tentou, dizendo que o gato tinha possivelmente sido atropelado pelo trem, quando ele SABIA que aquele estrago não tinha sido feito pelo trem, e ela também sabia o mesmo XDDD

Sobre o que eu imaginei pro final, né... não posso fazer declarações, spoilers super pesados dashduiashdisa XDDDD

Estou feliz que está gostando mesmo da história!!! Eu ainda não pensei na perseguição deles de fato, colocar as habilidades do Jann à prova... com todas as armas e tudo mais, mas se surgir a oportunidade eu com certeza vou agarrá-la com todas as forças! Também adoro essa coisa de exército e perseguição!!! XDDDD
history_teller From: history_teller Date: May 18th, 2013 12:54 am (UTC) (Link)

*_* (parte dois)

Limite de caracteres ultrapassado XDD Mandando o resto agora:

E o melhor de tudo!! Que bom que consigo passar essa visão da Nene fofa e medonha ao mesmo tempo... eu fiquei bastante insegura com o começo do capítulo, porque é justo na parte que mostra a Nene 'fofa', como uma criancinha normal... não sei se teria muita aceitação, ou se conseguiria mesclar os dois lados da moeda. Quando cheguei na parte que ela corre do trem e vê o gato... eu percebi que ficou até legal... mas queria ver a reação dos outros e fico feliz que você gostou disso *-*

A continuação dela vai ser só em duas semanas (quinzenal XDDD) por motivos de força maior que depois te explico... vou ser dumal dahsudiashduisahduisa

Beijo, menine!!! DHASDHASDAS (ADOREI O MENINENE XDDD) E MUITÍSSIMO obrigada pelo comentário, adorei lê-lo! *_*
laura_berthold From: laura_berthold Date: June 25th, 2013 09:15 pm (UTC) (Link)

puta que pariu!

OW PUTA QUE PARIU QUE CAPITULO BOMMM!! as descrições ficaram PERFEITAS! e nao vi nenhum erro! Apenas o erro de ser tao pequeno esse capitulo né!!
Mas entao, aquela primeira cena em italico do que se trata? foi a primeira "mae" da nene? a nene é a Kari? Se nao, a Kari é outra super criança?
Mas eu acho que é uma lembrança... mas de quem é a lembrança? Jann é completamente louco pela Nene mesmo... A cena do trem foi escruciantemente foda! adorei como ela matou os garotos e depois seguiram viagem! isso tem acontecido muito né segundo o que esta escrito...
voce pediu pra eu adivinhar o final, entao acho que Jann vai acabar morrendo por mentir pra nene de novo =X uma mentira foda que ele sabe que ela vai sofrer muito se souber =XXX e ai quando ela ver que é mentira, nao vai ser só um cortinho =XX outra coisa, eu tambem acho que deveriam haver muuuuuuito mais capitulos!
outra coisa, eu comecei a ler de novo desde o começo pra ler tudo de uma vez e fala sério né, me descreveu na primeira cena do cap 2(esse), cigarrao, cabelao, na cabana, só faltou eu ter uma criança assassina 8D auisdhauishduiahsdhadaishda brinks uÙ
É ISSO NEE! Adorei MESMO, a cena do metro foi MUITO MUITO boa! e a primeira cena tambem ficou perfeitamente bem descrita voce vai andando com a mulher pela propriedade, ficou muito bem escrito *_* como se espera de voce né, menos que isso é tomate podre na cara U_U tem que ser nota 10 pra cima U_U É UMA ORDEM U_U

esse capitulo eu diria que tirou uma notinha de merda ai de 10000000000000000! auishdauishdahsdiahsda
SE SUPERE E ME SURPREENDA NO PROXIMO CAPITULO XDD

Aquelas né aiusdhiuashduahsudiad

S2S2S2
history_teller From: history_teller Date: June 26th, 2013 12:10 am (UTC) (Link)

Re: puta que pariu!

DHUISAHDUAISDHASDS Sabia que ce ia gostar, tinha que ler, miserávelll!!! DHSUAIDHASUIDHASDSA Mesmo sem tempo, né, obrigada por ter lido, imouto *_* Seus comentários são muito importantes pra mim >O<

Então, a parte em itálico não é spoiler nem mistério, posso falar de boa... aquela menina NÃO é a Nene... é outra menina, com outra "mãe" (essa mãe é o mesmo tipo de figura do Jann, não é biológica), e provavelmente em outro tempo (pode ter se passado essa cena num lugar muito distante da Nene no mundo, numa época também distante da Nene) Esses começos (sim, isso vai ser frequente nos capítulos daqui pra frente, essas partes em itálico) são pra mostrar que a Nene não é a única menina no mundo com esse tipo de poder.

Sim, o Jann é completamente louco pela Nene dhasuidahdsa e isso explica pelo que a Nene é de verdade 8D SPOILER QUE EU NUM CONTO HÁ!... sobre adivinhar o final, né... fica adivinhando aí, que eu também, não conto! DHASUIDHASUDAS

Gente, eu não tinha tu na cabeça quando comecei a escrever... MAS TU SURGIU, SABE, DO ALÉM!!! DAHSUDSAHDUSIADHSA Enquanto eu escrevia, eu pensei: Meu, é a Laura na cabaninha com o Thor... só que sem o Thor XDDDDDDDDD... uma criança assassina no lugar, etcs 8D dhasuidahsudisahduisa, mas gostei dessa mulher (que acabou ficando inominada :3)

Que bom que gostou das cenas *_* O meu problema nesse capítulo todo foi a quebra da Nene, que ela aparece extremamente fofa e normal no começo, e no final ela tem aquela cara de psicopata... mas acho que a transição das duas personalidades ficou legal e ficou bem balanceada também, e acabou encaixando quase que naturalmente na imagem dela XDDDDD

E pode esperar que o próximo capítulo... GUARDA MUITAS SURPRESAS, MUAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!

Beijos, imouto, obrigada de novo pelo comentário *O* Te adoro, sua doida!

<3
laura_berthold From: laura_berthold Date: June 26th, 2013 12:23 am (UTC) (Link)

Re: puta que pariu!

então né! foi isso que eu tinha pensando, que de fato a Nene não era a unica... o poder dela foi colocado de um jeito muito macabro e enigmático e isso permite você abranger de um jeito extraordinário pra outros personagens! auishdiauhsduiahda porra sem o Thor nun dá u_u'' asuhduaishdiuahduihasda
A quebra ficou perfeita, tao boa que eu fiquei chocada com o jeito que você deslizou do doce pro horror e do horror pro doce. e a parte que Jann percebe o corte, ARGH, me deu uma pontada da porra. aqueles garotos eram maus, mas isso me leva a pensar que a Nene seja uma criatura que julga o mal pela raiz da raiz,... e isso pode levar ela á matar o Jann por uma mentira que ela interpreta como mal também... ficou muito bom, muito bem colocado os sentimentos que você quis passar, foi tocável. eu adorei!

POR FAVOR ME PERDOE POR DEMORAR MILÊNIOS PRA CONSEGUIR LER QUERIA TER UM CLONE PRA TRABALHAR PRA MIM E EU PODER FICAR LENDO TUDO T___T

TAMBEM TE ADORO NEE-SAN *>*
lis_hillen From: lis_hillen Date: November 4th, 2013 11:45 am (UTC) (Link)

Cadê o capítulo um para eu comentar?! U_U

Eu até procurei aqui, mas não achei de novo, esse negócio é muito complicado! Ou eu estou ficando velha demais para saber mexer em um computador! >o<

No primeiro episódio eu não tinha gostado da Nene, ela parecia um robô, ou um tipo de criança possuída que me dava medo. u_u Nesse episódio eu gostei dela, tão fofin! *o*

Gosto do jeito que o Jann a trata como filha, mas ainda tenho a impressão que faz isso por medo, não por gostar dela, ainda que tenha me falado do dom de sedução dessas crianças.

Também gostei dela fazer justiça, parece o Dexter, poderiam ser todos ensinados pelo Dexter a matar. u_u/ Mas ela mata com mais classe. xDDD

Achei que não ia gostar da historinha, gosto de coisas mais fofas e azuis e fantasias e romances, mas eu gostei, tem um bom enredo e não é tão pesada como eu pensava - apesar de esperar que nos próximos capítulos fique mais complicado de ler por causa do assunto. =/ Mas sou Winchester e não desisto nunca, então vou ler! u_u/

E quantos capítulos serão no total? o.o O que acontece no final?! Esqueci de perguntar antes que estava com sono! @_@

Acho que é isso, quando publicar mais mande para eu ler e ver o que acontece com a Nene. =)

Beijinhos. =*



Edited at 2013-11-04 11:46 am (UTC)
history_teller From: history_teller Date: November 5th, 2013 04:33 am (UTC) (Link)

Re: Cadê o capítulo um para eu comentar?! U_U

Serão 10 capítulos e lembre de não comentar spoiler DHUSAIDHAIDUAHSDIU

A Nene parecia um robô mesmo, mas à medida que avança, ela parece mais menininha, vai melhorando >3 E você que tá ficando velha né, pra num saber mexer mais nas coisas do Livejournal DHUDISAHDUIDHISA

Mas de boa, eu ia postar o capítulo novo hoje mas não tive tempo de terminar, e amanhã vou ver se consigo fazer algo dhausidhauidas

Kissus, dear, thnks por acompanhar :3 Até o próximo!
lis_hillen From: lis_hillen Date: November 5th, 2013 11:39 am (UTC) (Link)

Re: Cadê o capítulo um para eu comentar?! U_U

Eu não lembro de comentar spoileeer! Mas se eu comentar sem querer delete o comentário. xDDD

Agora a Nene parece mais uma menininha, espero que continue assim que ela é fofa assim. *o*

Não estou ficando velha, sua bruxa!!! u_u

Quando tiver tempo aí escreva e publica e me mande antes para eu ser a primeira a ler. u_u

Claro que ia acompanhar, né. xD É minha escritora favorita e particular ever. u_u/
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