?

Log in

No account? Create an account
Histórias Amigos Calendário Perfil Anterior Anterior Próximo Próximo
O Último Sonho [+10] - Contos Perdidos
~ até a última página ~
history_teller
history_teller
O Último Sonho [+10]
Então, como eu tinha prometido, hoje venho postar um de meus contos oneshot. Aparentemente, decepcionei alguns amigos meus ao dizer que ele não seria inédito hahahaha! Pois é, ele já foi postado antes na minha conta do DeviantArt (o que faz dele quase inédito, já que quase ninguém lê coisas lá XD), e nos sábados que eu não tiver postado nada durante a semana, eu vou tentar trazer algum oneshot aqui :) A maioria desses no começo serão repostagens, sim, admito, mas tem pessoas que ainda não leram/não estão familiarizados com eles. Quando tiver ideias novas (as minhas ideias costumam envolver longos capítulos, então, já deu pra ver XD) acabo postando contos inéditos aqui.

Esse foi um conto muito interessante que fiz, e tenho que oferecer meus agradecimentos especiais ao meu amigo/desenhista/editor/fotógrafo-em-tempo-livre XDDD Thiago T. que me ajudou no conto, a nossa intenção era transformá-lo num short de mangá, mas enfim, acabou não dando certo. Hahaha. O Conto é de minha autoria, mas ele me deu bastante ajuda :D Espero que gostem e se divirtam! Comentários e críticas são bem-vindos! Mais ao fim do capítulo!

Disclaimer: É meu. Qualquer cópia não-autorizada está sujeita a processo judicial.

O Último Sonho

A única luz da rua estava piscando constantemente. A noite estava mais escura e mais fria que o comum, e o céu sem lua nem estrelas ajudava para que o ambiente se tornasse mais sombrio. A rua era como qualquer outra da periferia da cidade, ladeando um parque que outrora já tinha sido um belo lugar, mas que no momento, especialmente durante a noite, a coisa que mais se destacava era o monte de lixo amontoado a poucos metros do poste de luz.

Havia quem passasse por ali e desviasse. Havia aqueles que sequer prestavam atenção ao local, havia até mesmo quem passava apenas para acrescentar mais ao lixo – como se o pouco que houvesse lá já não fosse o suficiente para estragar a beleza do local. Não havia, entretanto, quem parasse e observasse de perto aquele par de orbes que refletiam significante história e pequeno traço de esperança.

O som dos passos era inexistente. O vento não cortava nada mais que o vazio. Tudo estava tão calmo como sempre estivera, até que a luz parou de piscar e forçou-se a iluminar vagamente o local.

O mendigo mexeu-se entre os restos de papelão e puxou uns retalhos de pano para tentar se proteger do vento frio. Os cabelos grisalhos confundiam-se com a barba há muito por fazer. Os olhos negros e fundos precisaram piscar duas vezes para certificar-se de que realmente havia uma pessoa vestida em elegantes roupas pretas parada de pé diante de si.

– As noites estão começando a ficar mais frias, não? – a voz do homem era calma e profunda, parecia ecoar em seus ouvidos.

– Sim… um bocado. – o mendigo acenou com a cabeça. – O inverno parece estar chegando mais cedo.

– Sua noção de tempo está um pouco conturbada, meu amigo. – ele sorriu. – Estamos em plena primavera.

Mesmo com a iluminação relativa, incrivelmente o mendigo conseguiu ver em mínimos detalhes a cor vermelha forte de pétalas que pareciam ter saído da manga do rapaz de pé diante de si.

– É mesmo…? – o mendigo se permitiu dar uma risada falha. – O que posso fazer… tempo demais para memória de menos. Não tenho mais idade para decorar as estações.

– Não tem nem para decorar os dias. – naquele momento, o rapaz se abaixou de modo que seu rosto ficasse na mesma altura que o do mendigo. – Não saberia dizer que dia é hoje.

– Não é nada especial, imagino. – o mendigo deu de ombros.

– Isso eu não saberia dizer. Para mim, é um dia como qualquer outro, para você, no entanto, John…

– John… não ouço meu próprio nome há tanto tempo. – ele deixou o olhar se perder na escuridão. – Se consegue lembrar meu nome, deve me conhecer há tempos. Não posso dizer o mesmo de você… embora seu rosto me pareça bem familiar.

– Interessante… – um sorriso satisfeito surgiu nos lábios do jovem rapaz. – Que me ache familiar.

– Quem é você?

– Eu sou o Sono.

– Prazer em conhecê-lo. – o mendigo estendeu a mão.

O rapaz deixou uma risada escapar e estendeu a mão para cumprimentar o mendigo.

– Interessante. – repetiu o rapaz, soltando a mão do mendigo para apoiar o queixo na mão. – Que bom que resolvi vir aqui pessoalmente, sabia que seria interessante.

– Interessante, interessante… não sei o que vê de interessante nesse velho homem à beira da morte, rapaz. – o mendigo tossiu.

Mais uma vez Sono riu, parecendo realmente gostar da conversa.

– Não me lembro da vez que alguém me chamou de 'rapaz'. – Sono parou de rir, mas mantinha a expressão satisfeita no rosto.

– Então não deve conversar muito com pessoas mais velhas.

– Quem seria mais velho que o Sono?

– Não sei… a Morte, talvez?

Sono olhou-o por um segundo e depois rodou os olhos nas próprias órbitas, pensativo.

– Talvez… pode-se dizer que sim. – ele finalmente respondeu.

– Você é o Sono… então você conhece a Morte?

– Muito bem, eu diria. – Sono sorriu de novo, um sorriso divertido.

– Poderia mandar uma mensagem pra ela por mim?

– Uma mensagem? – Sono arqueou as sobrancelhas em confusão.

– Diga-lhe que ainda estou esperando… que se ela puder, eu gostaria que se lembrasse de mim. – o mendigo deixou um suspiro pesado escapar dos lábios.

– Oh, eu tenho certeza de que já recebeu o recado.

– Isso é ótimo. – ele fechou os olhos, sorrindo satisfeito. – Talvez eu finalmente vá pra um lugar melhor.

– Por que acha isso?

– Não quero acreditar que fique pior do que já está. É a última esperança para um homem como eu.

– Sabe… a esperança é a última que morre. – o sorriso que havia no rosto de Sono gradualmente desapareceu. – Mas ela também morre.

O mendigo riu. As sobrancelhas de Sono se arquearam em confusão.

– Acho que só estava esperando alguém me dizer isso. – disse o mendigo. – Então… o que há do outro lado?

– Você quer realmente saber?

– Não tenho nada a perder, não é?

– Acho que não… – a expressão de Sono pareceu ficar completamente neutra. – Não há muito do outro lado. Na verdade… não há nada.

– Nada…?

– Como um longo sono… sem sonhos. Vazio, frio, inconsciente.

– Começo a achar… que seria melhor não saber. – ele forçou uma risada de novo.

– Não se preocupe… não vai sentir nada lá. Não vai mais sentir, nem vai saber que já esteve aqui, ou porque está lá.

– Como não existir.

– Mais ou menos.

– Reconfortante. Mais um nada na minha vida…

– Já estou aqui… posso lhe dar uma última luz, quem sabe.

– Uma última luz?

– Um pequeno paraíso. Mesmo que não o lembre quando se for.

– Como assim?

– Eu tenho uma filha… que gosta de visitar as pessoas depois de mim. Ela é travessa… às vezes até as visita antes de mim, ou rouba dos homens a pequena felicidade que lhes dá.

– A filha do Sono…?

– Sonho…

A última coisa do rosto de Sono que ele viu foi o sorriso se alargar, quando a boca do rapaz soprou um vendo que em minutos contorceu-se, dobrando-se e redobrando-se até tomar uma forma feminina difusa pairando no ar, com longos cabelos que dançavam como o vento e um rosto desfocado com uma silhueta vacilante que lhe fazia parecer um fantasma. A única coisa que estava completamente visível nela eram seus olhos de um azul vítreo que parecia prestes a se despedaçar ao mero movimento de piscar. O mendigo viu seu reflexo ainda nos olhos da mulher, e no segundo seguinte, ela alcançou-lhe o rosto, dissipando-se numa fumaça acinzentada, deixando que o cenário no parque ficasse tão calmo e silencioso quanto antes.

Sono ainda encarava curiosamente a expressão do mendigo enquanto os olhos dele se fechavam e mergulhavam nas últimas boas imagens que teria em vida. Pelos dez minutos seguintes, ele se contentou apenas em extrair da expressão do mendigo como estava sendo seu sonho. Quando o rosto cansado e marcado pela idade se contorceu numa expressão perto de feliz, Sono finalmente levantou-se, colocando as mãos nos bolsos, dando apenas um passo para trás.

Naquele exato momento, a luz voltou a falhar, entretanto, daquela vez… ela apagou por completo.

O Último Sonho [FIM]

Bom! Espero que vocês tenham gostado! Só uma pequena história em que o sono vai buscar uma pessoa para levar até o mundo dos mortos. Tecnicamente o sono e a morte seriam pessoas muito parecidas. Nesse caso, o sonho e a morte trabalham quase como um só, e o que acontece é que ele vai buscar esse mendigo que teve uma vida interessante. Ou nem tanto, hahaha... foi uma coisa simples, um conceito bem simples também, mas eu gostei bastante de escrevê-la. É curtinha, mas espero que tenham aproveitado a breve leitura :)

Os capítulos das histórias em série estão já em construção, alguns já estão completos, e espero postar todas essa semana, nos seus respectivos dias, aguardem e confirmem, há! Quem não leu ainda, leia!!! Hahahaha!!!

Leiam, comentem, divulguem, critiquem, ignorem, não façam nada, sintam-se em casa! E até semana que vem!

Tags: , , , , , , , , , , , ,
Local: none
Modo: peaceful peaceful
Música: none

2 comentários / Deixe um comentário
Comments
From: (Anonymous) Date: May 12th, 2013 03:20 am (UTC) (Link)

Lis

Ainda não li a historinha, mas como sei que a escritora escreve maravilhosamente sei que está perfeito. :)
history_teller From: history_teller Date: May 12th, 2013 03:30 am (UTC) (Link)

Re: Lis

Claro que escrevo, sou foda, etcs 8D dhasudihasdas num sei se ce já tinha lido, ela é bem antiga... mas é legalzinha e gosto bastante dela :3
2 comentários / Deixe um comentário